Posted by : Suscitando a Historia sexta-feira, 22 de março de 2013


“POR QUE OS PROFESSORES ADOECEM?”


LEVANTAMENTO REVELA AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E SEUS
REFLEXOS NA SAÚDE DOS DOCENTES.

Uma pesquisa de fôlego sobre as condições de trabalho e suas
repercussões na saúde dos professores...

...Teve apoio financeiro da Secretaria de Educação Básica do Ministério da
Educação (MEC) – contou com a coordenação das professores Aparecida Néri
de Souza e Márcia de Paula Leite, do Departamento de Ciências Sociais na
Educação (Decise) da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp.

...É preciso conhecer mais as causas que levam os professores a
adoecerem, não somente combater as conseqüências.

...O trabalho e a saúde dos professores no período entre 1.998 e 2.007.

Um ponto que sobressaiu facilmente à análise foi que, embora a escola
sendo reconhecida grosso modo como uma instituição em que as condições
de trabalho são ruins, o professor foi considerado, paradoxalmente, um
profissional com alta qualificação profissional no mercado. Ainda que soe
uma contradição, ficou claro que o professor não realiza suas tarefas
mecanicamente e busca um sentido para o trabalho que faz.

...A sua exposição a temperaturas inadequadas, ruídos, superlotação
das salas, cansaço extremo pelas longas jornadas de trabalho, dupla jornada
das mulheres, falta de tempo para si e para se atualizarem, angústia pelas
exigências sociais em termos de atividades, complexidade das tarefas aliadas
à falta de recursos, problemas sociofamiliares dos alunos, ritmo de trabalho,
multiplicidade de tarefas simultaneamente às posturas desconfortáveis, pouca
freqüência de pausas, falta de valorização, burocratização das atividades, falta
de diálogo com a administração das escolas e expansão dos contratos de
trabalho temporários e eventuais.

Conforme Néri, em geral os professores enfrentam estes problemas
respondendo com atrasos, faltas, queda da qualidade e desinteresse pelo
trabalho, e adoecimento. Um fato intrigante, expõe ela, é que a legislação
trabalhista ainda não reconhece como doença ocupacional o estresse laboral e
os distúrbios da voz.

Esse mal-estar passa a se manifestar em sentimentos negativos intensos
como angústia, alienação, ansiedade e desmotivação, além de exaustão
emocional, frieza perante as dificuldades dos outros, insensibilidade e postura
desumanizada. A profissão docente é hoje considerada como uma das mais
estressantes, uma profissão de risco conforme a Organização Internacional
do Trabalho (OIT). E, não raro, os professores partem para a fuga de olha
ro processo sem se reconhecer nele. Nas mulheres, os principais efeitos do
mal-estar são amenorréia, cefaléia, melancolia climatérica, frigidez, anorexia,
bulimia, neurose de ansiedade e psicose depressiva.

A opção de ouvir professores de escolas públicas (...) se mostrou acertada.

...As condições nas quais os professores realizam seu trabalho produzem
seu adoecimento físico e mental.

As autoras reiteram que as pesquisas mostram a necessidade de o poder
público construir políticas públicas que enfrentem as suas origens em oposição
às políticas que pretendem atingir somente os efeitos, tais como a premiação
dos assíduos.

...A Síndrome de Burnout (...) vai avançando com o tempo, corroendo
devagar o ânimo do trabalhador, que vai se apagando. É uma desistência de
quem ainda esta lá, encalacrado em uma situação de trabalho que não pode
suportar.

A alta freqüência do Burnout entre os professores brasileiros consiste numa
evidência das difíceis condições de trabalho a que eles estão submetidos e, em
conseqüência, as precárias condições de ensino e aprendizagem que ainda
estão presentes na maior parte das escolas...
***
Fonte: [Trechos do artigo de Isabel Gardenal – Jornal da Unicamp – Páginas 06 e
07 de 09 a 22 de Novembro de 2.009]

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