Posted by : Suscitando a Historia quarta-feira, 3 de abril de 2013


“D I S C O S    V O A D O R E S”

EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA

Prezado (a) leitor (a):
Paz!

O conteúdo da Revista “O Cruzeiro” – Edição Extra – Novembro de 1.954, foi
digitado na íntegra para preservação da fonte histórica.
Para facilitar a leitura, utilizei como fonte a “Bookman Old Style”, aquela que
possuí caracteres de fácil visualização.
As fotografias foram feitas em xerox colorido de qualidade, para posterior
cópias xerografadas.
O material ufológico é raríssimo.
Não há lógica de, em pleno século 21, ele não ser disponibilizado aos
interessados no assunto. Ele é mais um “degrau”, na etapa evolucional desse
Planeta e da sua Humanidade, para que em um tempo oportuno, tenhamos
condições cármicas de poder efetuar totalmente o contato e intercâmbio gerais
com nossos irmãos do Universo, para termos uma consciência plena da grandeza
do Supremo Criador e seus Auxiliares Maiores.
Além disso, o Brasil foi o primeiro país do Mundo a oficializar a existência
de discos voadores e extraterrestres quando, com autorização do presidente
da República da época, o Ministro da Aeronáutica também autorizou o chefe do
serviço secreto da Aeronáutica Brasileira a fazer essa série de palestras. Isso é
uma informação escondida por muitas pessoas, inclusive alguns pesquisadores do
próprio assunto.

Boa leitura.

José Carlos Rocha Vieira Júnior
Ufólogo desde 1.972

Professor de História desde 1.982
[Arquivo Histórico Particular]

EXTRA – REVISTA “O CRUZEIRO”
NOVEMBRO DE 1.954

“DISCOS VOADORES”

A FÔRÇA AÉREA BRASILEIRA NUNCA SE DESCUIDOU A RESPEITO DO
MISTÉRIO DOS “DISCOS VOADORES” – A SENSACIONAL CONFERÊNCIA
DO CORONEL ADIL OLIVEIRA, CHEFE DO SERVIÇO DE INFORMAÇÕES
DO ESTADO-MAIOR DA AERONÁUTICA, NA ESCOLA SUPERIOR DE
GUERRA, PUBLICADA NA ÍNTEGRA – APRESENTADAS TESTEMUNHAS
CATEGORIZADAS DO FENÔMENO, ENTRE OS QUAIS JOÃO MARTINS
E ED. KEFFEL, REPÓRTERES DE O CRUZEIRO – DEPOIMENTOS
IMPRESSIONANTES.

*

A CONFERÊNCIA DO CORONEL JOÃO ADIL OLIVEIRA.

Na manhã do dia 2 de Novembro, o Coronel-Aviador João Adil Oliveira, Chefe
do Serviço de Informações do Estado-Maior da Aeronáutica, pronunciou uma
conferência acerca dos “Discos Voadores”, no auditório da Escola Técnica do
Exército, no Rio de Janeiro. Esta conferência foi patrocinada pela Associação
dos diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), órgão institucional
dessa Escola, com a qual coopera e para a qual promove cursos de revisão,
debate assuntos considerados importantes e acontecimentos atuais de interesse
geral. A Escola superior de Guerra e a ADESG são entidades da mais alta
responsabilidade e que reúnem a elite dos nossos militares e dos nossos técnicos.
Por outro lado, o Coronel João Adil Oliveira é um oficial que goza do mais
elevado conceito em todo o País, culto, equilibrado, consciencioso e enérgico.
Recentemente, o seu nome esteve em foco, como Presidente da Comissão Militar
de Inquérito, instalada para apurar os responsáveis pelo crime da Rua Toneleros,
e que terminou por produzir uma drástica revisão na vida política nacional. As
palavras do Coronel Adil foram ouvidas, atentamente, por uma assistência de
escol, constituída por altas patentes das três Armas e autoridades, inclusive pelo

Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Brigadeiro Gersávio Duncan. No final
da conferência, foram apresentadas aos presentes, pelo Doutor Alberto de Melo
Flores (que cooperou na organização da mesma), testemunhas autorizadas do
fenômeno no Brasil. O Doutor Flores é um Engenheiro que fez todo o seu curso
com distinção, ex-Diretor da Engenharia da Aeronáutica e pertencente atualmente
ao Gabinete do Ministro da Aeronáutica. Essas testemunhas selecionadas foram
as seguintes, pela ordem de apresentação: João Martins e Ed. Keffel, repórteres
de O CRUZEIRO, autores da sensacional reportagem realizada, em Maio de
1.952, na Barra da tijuca; Comandante Nagib Ayub, da VARIG; Major-Aviador
João Magalhães Mota e Tenente-Aviador Hernani Ferras de Almeida, pilotos de
avião a jacto; e Senhor Thelmo Braga, funcionário especializado do Serviço de
Saúde Pública. A escassez de tempo não permitiu que fossem apresentadas
várias outras testemunhas, entre as quais, oficiais da Aeronáutica, possuidoras
de depoimentos considerados importantes. O CRUZEIRO sente-se honrado em
apresentar, para o conhecimento dos seus leitores, o texto integral do Coronel
João Adil Oliveira, um trabalho que não deve faltar na coleção de todos aquêles
que se interessam pelo fascinante assunto dos “Discos Voadores”.
*
I – INTRODUÇÃO.
Em 1.952, época em que houve um recrudescimento no aparecimento de
“Discos Voadores, estávamos cursando a Escola Superior de Guerra e fomos
quase que forçados a fazer uma palestra sobre eles. Ao Almirante Benjamin Sodré
cabe a responsabilidade, já que foi dele a idéia. Nunca supus que o assunto
despertasse, naquela ocasião, tanto interesse.
Posteriormente, os discos continuaram aparecendo e o interesse público cada
vez crescendo mais. Neste ano de 1.954, novamente voltam eles a aparecer com
freqüência, atraindo a atenção do mundo inteiro e novamente somos chamados
a dizer algo sobre discos. Assunto é realmente fascinante, porém delicado e
a prova disso são as controvérsias que têm surgido a seu respeito pelo mundo
afora, como vamos ver. Há outro ponto que convém esclarecer. Refiro-me à
crença generalizada de que sobre “Discos Voadores” devem ou podem falar
apenas os cientistas, os técnicos e os dotados de imaginação fértil. Esclareço
desde logo que não tenho a intenção de envolver ciência técnica ou Júlio Verne
na exposição. Desejo apenas fazer um relato sucinto do que se sabe no mundo
a respeito de “Discos Voadores”, o que se sabe sobre a opinião de homens
estudiosos e qualificados que se têm preocupado com o assunto.
O problema dos “Discos Voadores” tem polarizado a atenção do mundo
inteiro, é sério e merece ser tratado com seriedade. Quase todos os governos
das grandes potências se interessam por ele e o tratam com seriedade e reserva,
dado seu interesse militar.

Infelizmente, é ele tão apaixonante e envolve interesses de tal complexidade
que dificilmente se consegue manter um estado de espírito compatível com a
análise fria dos fatos. É a razão por que somente agora me aventuro a fazer esta
exposição porque sei do elevado nível de cultura e espírito do distinto auditório a
quem tenho a honra de falar.

II – OS DISCO NO PASSADO.
O desnorteante enigma dos “Discos Voadores” preocupa a humanidade há
séculos. Se andarmos ao arrepio do tempo, poderemos encontrar gente vendo
discos séculos antes de Cristo. E testemunhos de gente absolutamente insuspeita.
O nome do que nós chamamos em português “disco” é que apresenta variedade
de vocábulos. Isso não surpreende – ainda hoje continua havendo uma gama de
vocábulos para designá-los. Os povos de língua inglesa os chamam de “flying
saucers”, pires voadores. Os franceses os chamam de “soucoupes volantes”.
É quase certo que no Paquistão os chamam de outro modo. Ezequiel, no sexto
século antes de Cristo, em Tell Abib, nas margens do Rio Chobar, os chamava
de “rodas”. No “Livro de Ezequiel” podem-se ver as referências às “rodas” no
céu, e esse livro, é bom reter, era considerado sagrado pelos judeus e a Igreja
inscreveu-o no “cânon” dos livros inspirados. Ezequiel refere-se mais de uma
vez ao aparecimento de quatro “rodas” ou discos como os chamamos. É curioso
que ainda hoje algumas vezes apareçam eles com esse número, como os que
pousaram em Tapes, no Rio Grande do Sul, cerca de meia-noite, na noite de
vinte e nove para trinta de Outubro deste ano, de acordo com o relato minucioso
que se encontra no jornal “Hoje” de treze de Novembro de 1.954, com ilustração
esboçada pelo desenhista Delmar, segundo a descrição feita pelo Senhor Flávio
Rabelo, que os viu pessoalmente. Ezequiel, segundo afirma, sem o brilho do estilo
de Isaías, descreveu o que viu com clareza e originalidade. Pena que esse notável
profeta, um dos quatro grandes do Velho Testamento, com suas visões, tivesse
provocado a ira de um príncipe judeu intolerante e que o mandou matar.
Pires, pratos, discos ou rodas, isso pouco importa. O que importa é o que
esses vocábulos nomeiam. Qualquer deles sugere determinado objeto voador
redondo e achatado, isso que hoje o mundo contempla e luta para explicar.
Segundo relato de Donaldo Keyhoe, publicado no jornal “Sunday Dispatch”,
reproduzido no “Diário Popular” de 11 de Outubro de 1.950 (Lisboa), afirma
esse antigo chefe do Serviço de Informação do Departamento de Comércio
dos Estados Unidos, que, consultando extratos de publicações científicas e
documentos oficiais, verificou que em 1.762 já se assinalavam aparecimentos de
“Discos Voadores”.
Posteriormente, com o desenvolvimento crescente da imprensa, os relatos
foram aparecendo com mais freqüência e minúcias de descrição.

Em 1.837, os discos alcançaram o Texas sobrevoando Benham, no verão
desse ano. “Os fazendeiros, apavorados, atiravam-se no interior de suas carroças”
– segundo relatos da época.
Logo no outro dia do alarma de Benham, outra aeronave alarmou Kansas
sobrevoando o Fort Scott. Os soldados, apavorados, debandavam de suas
formações quando a estranha aeronave passava relampejando sobre suas
cabeças.
Se nos dermos ao trabalho de folhear o jornal “Daily News”, de Denison, de
25 de Janeiro de 1.878, lá veremos – “Pelo Senhor John Martin, fazendeiro que
mora cerca de seis milhas ao sul desta cidade, foi-nos trazida a seguinte estranha
história: Na manhã de terça-feira, quando caçava, sua atenção foi despertada
para um objeto escuro no alto do céu, ao sul. A forma peculiar e a velocidade com
que o objeto parecia aproximar-se, prendeu sua atenção e ele arregalou os olhos
para descobrir de que se tratava. Quando o viu pela primeira vez, parecia ser do
tamanho de uma laranja que crescia continuamente. Já quase sobre sua cabeça,
o objeto havia aumentado consideravelmente de tamanho, parecendo andar no
espaço com velocidade fantástica. Parecia ser um grande disco e parecia estar a
grande altura. O Senhor Martin é um cavalheiro de indubitável honestidade e esta
estranha ocorrência merece a atenção de nossos cientistas”.
O “Times”, de Londres, em edição de Setembro de 1.870, publica outra curiosa
descrição semelhante à do Senhor Martin. O escritor Harold Wilkins revelou, numa
revista chamada “Contemporary Review”, o importante relato dum comandante
de navio, que, quando navegava na costa da Sibéria, presenciou a passagem de
um misterioso aparelho e dele fez uma descrição minuciosa e acompanhada de
um desenho. Pela descrição desse comandante de navio, navio que se chamava
“Lady of the lake”, a misteriosa aeronave seria o que conhecemos hoje como
“Disco Voador”. Acrescente-se que a “Contemporary Review” era uma publicação
cujo caráter austero não se coaduna com fantasias (Extraído do livro “Enigmas
dos discos voadores” – Hugo Rocha – Pôrto – Portugal).
Em Marselha, a 1 de Agosto de 1.871, novamente o estranho aparecimento de
“Disco Voador”. Era enorme, redondo, movia-se lentamente e foi visto cerca de 15
minutos.
A 26 de Agosto de 1.894, menciona o livro do Comandante Keyhoe, um
almirante britânico assinalou um enorme disco e no ano seguinte, 1.895, a
Inglaterra e a Escócia foram “inundadas” por histórias de “Discos Voadores”.
Em 1.897 começaram os aparecimentos de “Discos Voadores” a ser freqüentes
nos Estados Unidos. Um dos casos curiosos começou, segundo relato contido no
livro “The flying saucers are real”, a 9 de Abril.
Um enorme “charuto” foi assinalado cruzando os céus de Midwest. Por uma
semana a estranha aeronave cruzou pelos céus daquela região. A 16 de Abril

a “coisa” desapareceu. Porém, no dia 19, reapareceu sobre West Virginia. Na
manhã desse dia a cidade de Sisterville foi acordada pelos apitos estridentes das
sirenes das serrarias e teve sua população estonteante visão. De um enorme
“charuto”, sobrevoando a cidade, holofotes voltados para baixo vasculhavam
a região. Por cerca de 10 minutos a aeronave rodou sobre a cidade, depois
encaminhou-se para Este e desapareceu.
Seria impossível enumerar todos os casos registrados em documentos que
merecem inteira fé. O que convém fixar é que esses fatos estavam acontecendo
muito antes dos Irmãos Wright e de Santos Dumont terem ensaiado os tímidos
saltinhos que deram em seus aeroplanos, em 1.903 e 1.906.
Esses fatos, desde aquela época, fins do Século XIX e começo do XX,
aconteciam em todo o mundo, desde as Índias Orientais Holandesas (1.890) até
aos Estados Unidos, seus antípodas.
Renovo o apelo para que fixemos o fato singular de que a aviação nem existia
e a aerostação somente começou a ser usada com relativa eficiência no correr da
guerra 1.914/18, pelos alemães, como todos sabemos.
Já tivemos nós, no Rio de Janeiro, e nunca esquecerei, um despertar
maravilhoso, com um enorme “charuto” nos céus, com holofotes voltados para
baixo. Lembro-me ainda bem. Foi no clarear de um dia de tempo maravilhoso, céu
limpo. Mas, note-se, isso foi uma das diversas vezes em que o Zepelin veio ao
Rio. Lembro-me ainda da estupefação do nosso povo e dessa lembrança, chego,
por extrapolação, ao estupor natural da população da cidade de Sisterville a 19 de
Abril de 1.897.
O curioso é que, naquela época, a ninguém ocorreu que se pudesse tratar de
ilusão, psicose ou mistificação. Nem tampouco se pensou em armas secretas.
Hoje todos sabemos as versões que correm a respeito desses mesmos fatos. O
homem tem uma tremenda vontade de explicar tudo o que lhe impressiona os
sentidos e raramente tem a coragem moral de confessar sua fraqueza mental,
apesar de fingir acreditar que possa haver no céu e na terra mais coisas que as
que possa sonhar sua vã filosofia, como dizia Hamlet a Horácio, no drama de
Shakespeare, representado em 1.602. Tem vontade de explicar e, de qualquer
modo, ensaia explicar seja lá o que for. E essas “explicações” vão desde o ridículo
dos cientistas, explicando a impossibilidade do vôo do mais pesado que o ar, e a
impossibilidade de transporte simultâneo de energia e calor, até ao trágico de um
velhinho de 70 anos, grande matemático, físico e astrônomo, quase ser jogado
na fogueira porque não aceitava as “explicações” que lhe pretendiam impingir, em
1.633, depois de um julgamento de 20 dias.
O que é curioso, também, é o considerável retardo que se nota no homem para
assinalar a experiência de seus antepassados. Ainda hoje é freqüente, no debate
de problemas apaixonantes como esse dos “Discos Voadores”, jogarem-nos o

“supremo” argumento de que tal explicação não serve e não serve porque um
astrônomo, Doutor Menzel de Harvard, assim o acha. Somos, realmente, tardos,
mas, pensando bem, devíamos contar com esse retardo também. Ora, o homem
precisou usar o cavalo mil anos para então desconfiar que talvez fosse melhor
usar estribos quando montado. Mas, seja como for, a intolerância no debate do
apaixonante tema é generalizada.
De um lado, o cientista Doutor Menzel de Harvard, com toda a sua
responsabilidade de cientista, afirma, pura e simplesmente, que as “histórias”
de “Discos Voadores” procedem da mesma fonte de que surgem as lendas de
assombrações e duendes. E afirma mais: “Que as causas mais comuns desse
engano são as sementes de serralha, a teia de certas aranhas, as bolhas de são,
os balões meteorológicos e os meteoros”.
De outro lado, os que não concordam com as explicações do Doutor Menzel,
enchem-no, não de argumentos, mas de insultos pesados, acusando-o de ser
um falso sábio, um universitário em busca de reputação e dinheiro, um agente
dos narcotizadores da opinião, embuçado na autoridade de uma toga de Harvard,
truncando e deformando grosseiramente os testemunhos. Recebe ele cartas com
ameaças de represália que serão tomadas pelos marcianos e venusianos que o
Doutor Menzel nega existirem.
Se a polícia permitisse, teríamos novamente, como em 1.633, fogueiras
acesas para torrar muita gente de um lado e de outro. Um comentarista francês
de renome, Raymond Cartier, frente à exacerbação de paixões, que observou
nesse caso, a propósito das conclusões do Doutor Menzel, observou com muito
espírito: “Compreendo bem tudo isso, os “Discos Voadores” são uma fé e a dúvida
é herética”.

III – OS FATOS ATUAIS, INTERPRETAÇÃO E DÚVIDAS QUE PERSISTEM.
Já no século XX continua-se a assinalar o aparecimento dos discos. Logo
no começo do século, há registrados dois curiosos aparecimentos, ambos
consignados nas páginas do mensário “Weather Review”, do Bureau de
Meteorologia dos Estados Unidos – página 115 do número de Mão de 1.904 e
página 310 de 1.907. Esses aparecimentos foram assinalados, o primeiro pela
tripulação do barco “Supply”, americano, e o segundo, acima, da cidade de
Burlington, Vermont.
Os aparecimentos no começo deste século foram raros. Apareciam discos ou
“charutos” de tempos em tempos, nada parecido com o que estamos assistindo.
Antes da Segunda Guerra, o último aparecimento registrado refere-se ao caso
narrado por Nicholas Roerich, que na ocasião, 1.934, era chefe da “Expedição
Americana Roerich” ao Tibete. A narrativa desse perturbador caso encontra-se
nas páginas 361 e 362 de seu livro “Altai Himalaya”.

Posteriormente, rebentou a Segunda Guerra e pouco depois começaram os
inexplicáveis aparecimentos daqueles falados “foo-fighters”, vistos pelos aviadores
durante a guerra, na Europa e no Japão. Já no final da guerra houve a célebre
experiência com a primeira bomba A e logo depois duas explodiram em
Horoshima e Nagasaki. Dessa época em diante houve um recrudescimento
assustador no aparecimento de discos e os governos passaram, quase que sob o
clamor dos povos alarmados, a se interessar pelo assunto e a investigar
cuidadosamente. Na Inglaterra o Ministério do Ar lança-se em investigações,
centraliza os informes colhidos e sua rede estende-se até os domínios mais
longínquos. Na França, a mesma coisa. Ainda recentemente o Ministro do Ar,
Diomede Catroux, respondendo a uma interpelação do Congresso, esclarece que
os serviços de seu Ministério estão atentos, observando tudo que se passa nos
céus. Nos Estados Unidos, depois de certos fatos que realmente abalaram o país,
resolve-se centralizar as investigações num órgão que se denominou “Projeto
Disco”, criado por lei assinada em 30 de Dezembro de 1.947. Poucos dias depois,
a 7 de Janeiro de 1.948, aconteceu o espantoso caso da morte do Capitão Mantell
ao perseguir um disco e duas semanas depois o “Projeto Disco” começou
efetivamente suas operações. Foram contratados o Astrofísico Professor Joseph
Hynek e um grupo de peritos da Rand Corporation. Passaram a cooperar com o
“Projeto Disco” o Serviço Aéreo Meteorológico de Andrews Field, o Bureau de
Meteorologia dos Estados Unidos, laboratórios eletrônicos, Laboratório
Aeromédico, departamentos do Exército e da Marinha. F.B.I., Aeronáutica Civil e
várias outras organizações do Governo e privadas, bem como peritos em
foguetes, autoridades em projetis dirigidos e planejadores de viagens
interplanetárias. Um questionário-padrão é distribuído amplamente. Refere-se ele
a, para cada caso, tempo, local, tamanho e forma do objeto assinalado, altitude
estimada, velocidade, manobras executadas, cor, ruído, duração da observação,
etc., etc.. O primeiro nome em inglês do que chamamos “Projeto Disco” foi
“Project Sign”. Mais tarde seu nome foi mudado para “Project Grudge” e
posteriormente passou a chamar-se “Blue Book”. O problema dos discos é tão
perturbador, e é tal a balburdia que estabeleceu nos meios onde se os
investigava, que até para eleger um nome houve tentativas sucessivas. A escolha
de “Blue Book” resultou, parece, do conhecido “Livro Azul” dos colégios
americanos, livro esse que tem respostas para todas as questões dos exames.
Entretanto, apesar disso, até agora esse “Blue Book” não esclareceu nada a
respeito da maior interrogação do nosso tempo.
Vamos agora tomar contato com alguns dos mais complicados e conhecidos
casos de aparecimentos de “discos voadores” e suas variantes “Charuto” e “Bola
de Fogo”, para então chegarmos através deles às curiosas controvérsias que
ainda hoje existem.

1 – Caso Kenneth Arnold – Foi este talvez o primeiro caso que emocionou o povo
americano e o Capitão Edward Ruppelt, que trabalhou dois anos no “Blue Book”,
o apresenta como marcando o ano primeiro do que ele chama a Era dos Discos.
Kenneth Arnold voava de Chehalis a Jakima, Washington, a 24 de Julho de 1.947,
quando notou qualquer coisa luminosa no seu través que lhe chamou a atenção.
Fixando seu olhar, viu nove discos resplandecentes contra o fundo de neve do
Monte Ranier. “Voavam perto do cume da montanha, como que numa cadeia
diagonal, como se estivessem todos ligados” – esclareceu ele posteriormente.
“Observei-os durante três minutos. Eram chatos como uma torta e tão
brilhantes que refletiam o sol como um espelho. Nunca vi coisa tão rápida, pois
sua velocidade era da ordem de 2.000 Km/H”.
Essa narrativa, é claro, empolgou a nação, como um fato capaz de confundir.
Tanto quanto se sabia, nenhum avião do mundo havia transposto a barreira do
som até àquela data.
“Não acredito nisso, é claro, mas vi-o”.
Essa história, segundo afirmam pessoas chegadas ao “Blue Book”, teria talvez
se encerrado se nada mais acontecesse. Mas aconteceu que nos trinta dias
seguintes, 53 informações sobre discos choveram sobre os investigadores.
Segundo o depoimento do Capitão Ruppelt alguns desses aparecimentos
pareciam algo mais que simples histeria, como a princípio se supôs. Provinham
de velhos pilotos acostumados com as ilusões de óptica que o vôo pode provocar,
provinham de cientistas e de outros observadores, presumivelmente sóbrios e
calmos.
Nessa primeira fase de freqüentes aparecimentos de “Discos Voadores” a
Fôrça Aérea americana se manteve oscilando entre duas concepções.
Havia os que se mostravam apreensivos com os discos e entre eles algumas
altas patentes. Achavam que foi uma espécie de complacência que levou os
Estados a Peral Harbour e nesse momento a tensão internacional era alta com
o que se denominava “guerra fria”. Achavam que se devia apurar, e depressa, a
causa desses estranhos aparecimentos.
De outro lado, estavam os que achavam que tudo nada mais era que uma
histeria provocada pelo caso Kenneth Arnold. Achavam que essas visões
diminuiriam com o tempo. Além disso, diziam eles, não pareciam os discos
constituir ameaça alguma e nenhum deles foi apanhado para que se pudesse
provar que realmente eram algo de novo sob o Sol.
2 – Caso Mantell – Será este talvez o mais emocionante dos casos conhecidos
a respeito de “Discos Voadores”. Ainda hoje continua citado e discutido em todo
o mundo. Parece que foi realmente o caso que na verdade fez aumentarem as
preocupações, dizem que os governo americano tudo fez para impedir que toda
a história fosse à publicidade, inclusive vedando as publicações das mensagens

finais trocadas entre a Torre de Godman Field e Mantell. Foi a 7 de Janeiro de
1.948, à tarde. Um enorme e brilhante disco foi assinalado, primeiramente em
Madisnville a cerca de 40 quilômetros de Fort Knox, e alguns minutos depois
sobrevoava a Base de Goldman Field. O Comandante da Base, Coronel Hix,
determinou que fosse o disco seguido por três aviões F-51 que nesse momento
sobrevoavam a Base. Na própria torre de controle permaneceu o Coronel Hix.
Passados alguns minutos a alta patente reproduzia a voz do Capitão Thomas
Mantell:
-Avistei a coisa. Parece metálica e é de enorme tamanho.
Passados alguns instantes, nova mensagem:
-Parece começar a subir; está, parece, com metade de minha velocidade e
tentarei aproximar-me.
Às 15:08 horas, um dos alas do Capitão Mantell chamou e disse que estava
também vendo o disco. Disse ainda que Mantell havia passado por eles e sido
perdido de vista. No momento havia nuvens.
Sete minutos após, às 15:15 horas, Mantell entrou novamente em contato com
a torre com a seguinte mensagem:
-Ainda está em cima de mim, com minha velocidade ou mais. Estou subindo
para 20.000 pés. Se não conseguir me aproximar abandonarei a caçada.
Foi sua última mensagem conhecida. Alguns minutos depois destroços de seu
avião caíam espalhados numa grande área, o que faz supor desintegração no ar.
Um dos alas, procurando ainda Mantell, subiu a 33.000 pés, mas nada encontrou
– nem seu chefe nem o disco, que também havia desaparecido.
Esse caso deixou a opinião americana estarrecida. As observações que se
ouviam de oficiais de Avião eram invariavelmente deste tipo:
-Pensei que os discos fossem uma brincadeira até o momento em que Mantell
foi morto quando caçava aquele em For Knox.
Muitos oficiais graduados que achavam graça dos alarmes ocasionados
pelos “Discos Voadores” pararam de zombar. O Capitão da Avião Naval Donald
Keyhoe, em seu livro “The flying saucers are real” afirma que entre esses oficiais
graduados estava o General Sory Smith, da Força Aérea, que declarou:
-Foi o caso Mantell que me abriu os olhos. Conheci Tommy Mantell muito bem,
assim como o Coronel Hix, Comandante da Base de Godman Field. Sabia que
ambos eram homens inteligentes e muito diferentes dessa espécie de gente que
vive a imaginar coisas.
A Força Aérea cercou o caso de absoluto sigilo e só depois de quinze
meses começou a dizer algo, mas o que disse quase nada explicou, antes,
gerou controvérsias, que ainda hoje persistem. Começou-se então a insinuar a
possibilidade de Mantell ter subido demasiado, perdendo os sentidos ou então que
tenha ele sido enganado com balão de sondagem.

A hipótese do balão é duma fragilidade que não resiste à mais superficial
análise.
Todos os balões lançados naquela época foram controlados e nenhum esteve
à tarde na região de Godman Field. Alem disso, não teria desaparecido, teria sido
encontrado pelo ala do Capitão Mantell, que vasculhou a região, investigando,
subindo até 33.000 pés. Mas, apesar de tudo, mesmo procurando desconhecer
a impressão e centenas de pessoas que viram o disco na região de Fort Knox,
inclusive os pilotos que o viram de perto no ar, tentando caçá-lo, o governo diz
que o “balão” poderia ter explodido logo após a aproximação do Capitão Mantell
e, por essa razão, não teria sido encontrado pelo seu ala que subiu a 33.000 pés.
E, claro, que a explicação nunca chegou a convencer e isso, além do que se sabe,
pelas seguintes razões:
-Ninguém assinalou a descida de pára-quedas, que deveriam funcional neste
caso;
-Nenhuma caixa de instrumentos de pesquisas ou pára-quedas foi encontrada
na região;
Daquela região nunca foram devolvidos à Marinha instrumentos encontrados.
TODOS OS INSTRUMENTOS LANÇADOS NAQUELA ÉPOCA FORAM
RECOLHIDOS.
Duas horas depois da morte do Capitão Mantell o disco foi assinalado voando
sobre a Base de Lockbourn, com velocidade estimada em 500 m/H, E ISSO
CONTR AO VENTO QUE SOPRAVA NA OCASIÃO.
Quanto à subida demasiada, a hipótese sugere dúvidas. Mantell era um piloto
experimentado, veterano da guerra, com mais de três mil horas de vôo e em
mensagem disse que abandonaria a caçada a 20.000 pés, caso ao conseguisse
se aproximar do disco. Dispunha de 2 altímetros para o controle da altura e não
iria insistir subindo após os clássicos primeiros sintomas de axonia – manchar
avermelhadas e estreitamento da visão.
Mas, apesar de tudo, admitindo mesmo que isso tenha acontecido, ainda
restam dúvidas resultantes da análise dos destroços de seu avião, completamente
desintegrado no ar. Sabe-se que um avião sem os comandos do piloto, não
mergulha. Poderia deslizar ou planar em espiral e talvez mesmo largasse as
asas antes de chocar ao solo, caso a velocidade de queda ultrapassasse certo
limite. Além disso, sendo possível Mantell recobrar os sentidos ao descer alguns
milhares de pés, restabelecendo o equilíbrio de seu avião, ou jogando-se de pára-
quedas, se fosse o caso.
Seja como for, nada do que se sabe será capaz de explicar a identidade do
disco observado, parecendo verdadeiramente pueris as tentativas de explicação
da Força Aérea, que mais parecem, como acentua o Capitão Keyhoe, cortinas de
fumaça destinadas antes a ocultar não se sabe bem o que. O Almirante Boister,

chefe de pesquisas aeronáuticas de aviões experimentais da Marinha e ex-colega
de Keyhoe em Anápolis, disse-lhe que nada do que se passou em Fort Knox teria
conexão com seus experimentos.
Restava ainda a hipótese de ser russo o disco assinalado. Mas, neste caso,
seria incrível que tal aparelho, pilotado ou sob “controle remoto”, tivesse sido
exposto por cerca de meia hora à curiosidade dos aviadores da Base de Godman,
podendo, inclusive, cair ou ser abatido, perdendo-se assim o segredo desejável.
Se fosse americano, da Aeronáutica ou Marinha, como explicar a parada sobre
a Base de Godman? Como explicar a ordem que havia para que essas estranhas
aeronaves fossem seguidas? Quem seria o responsável pela morte do Capitão
Mantell?
De qualquer modo, o que restava de tudo era apenas a convicção segura de
que os discos eram uma gritante realidade.
3 – Caso Chiles-Whitted – Na manhã de 23 de Julho de 1.948 um DC-3 de
Eastern Airlines decolocou de Houston, no Texas, com destino a Atlanta e
Boston. Seus pilotos eram Clarence e John Whitted, ambos conhecidos como
experimentados, cautelosos e moderados pilotos. Voavam às 02:45 horas da
madrugada a 33 quilômetros a Oeste de Montgomery quando uma brilhante
aeronave, algo como um torpedo, foi assinalada, aparentemente, seguindo a
rota inversa da do avião. Passou em vertiginosa velocidade como um clarão por
baixo do DC-3. Chiles virou para a esquerda e observou que a estranha aeronave
manobrava também vindo se colocar cerca de 1.000 pés à sua direita. Nessa
manobra observou Chiles que a tal aeronave não tinha asas. Na passagem
para a direita o co-piloto Whitted pôde observar bem e dando suas impressões,
posteriormente, disse:
-a coisa tinha cerca de 100 pés de comprimento, forma de charuto e sem asas.
Seu diâmetro era cerca de duas vezes a do B-20, sem o prolongamento da cabine
do piloto. Seu brilho era algo como o de magnésio.
Chiles esclareceu mais:
-Um intenso brilho azul-escuro do vinha do lado da aeronave. Corria ao longo
da fuselagem uma luz fluorescente azul. Desprendia fumaça e parecendo também
uma chama vermelho-alaranjada.
Ambos, Chiles e Whitted, avaliaram a chama atrás da aeronave em cerca
de 50 pés e ambos ficaram com a impressão de que havia fileiras de janelas.
Ao tentar Chiles aproximar-se, o “charuto” subiu como se quisesse evita-lo, seu
jacto quase alcançando o DC-3 nesse momento. Ganhou velocidade e altura
e desapareceu. Chiles foi à cabina interpelar os passageiros, mas quase todos
dormiam ou cochilavam. Apenas um, Clarecen McKelvie, de Colombes, Ohio,
estava atento, dizendo ter visto passar por sua janela uma brilhante cortina de luz.

Uma hora antes desse encontro, uma “estranha” e “brilhante” aeronave passou
sobre Robbins Field, em Macon, Geórgia. Os observadores dessa Base ficaram
com a impressão de ter visto um enorme avião sem asas.
Houve insinuações de que possivelmente tratar-se-ia de foguetes de White
Sands, hipótese insubsistente face às circunstâncias de ter circulado vários
minutos ao Sul de Macon e de sua velocidade estimada. Caso fosse foguete, sua
velocidade o faria alcançar a região de Montgomery bem antes da hora em que
houve o encontro com o DC-3 de Chiles.
4 – Caso Gorman - Às 9 horas da noite de 1 de Outubro de 1.948, o piloto
George Gorman pilotava um P-51 sobre o aeroporto de Fargo. Já em contato com
a torre, pedindo pouso, Gorman avistou uma estranha bola de fogo cruzando bem
abaixo de seu avião. Voava ele a 4.500 pés e a torre informou que, na sua frente,
para pouso, havia um pequeno avião de turismo. Do ar, Gorman pôde ver contra a
iluminação de um campo de futebol embaixo a silhueta do aviãozinho e viu
também, em certa ocasião, também contra a iluminação do campo, a estranha
bola verde. Era curioso, mas não chegou a distinguir forma nenhuma nítida na luz
verde assinalada. Parecia, pura e simplesmente, uma bola de fogo verde. Na
torre, o controlador L. D. Jansen, com possante binóculo, acompanhava a bola
verde. Do relato de Gorman, extraído do livro de Donald Keyhoe – “The flying
saucers are real” – consta o seguinte: -“Quando aproximei-me – depôs mais tarde
perante o pessoal do “Projeto Disco” – a luz, que a princípio parecia piscar, tornou-
se firme e ganhou altura numa curva fechada para a esquerda. Era de um branco
muito alvo e completamente redondo. Mergulhei mas não consegui alcança-la.
Minha velocidade era de cerca de 600 km/h. Quando tentei acompanhar a luz,
numa curva, desfaleci temporariamente, devido à excessiva velocidade. Logo
depois de recuperar a visão, fiz uma curva fechada e tentei interceptá-la.
Estávamos nessa ocasião já a 7.000 pés. Subitamente a luz fez uma curva
fechada para a direita e encaminhamo-nos um na direção do outro. Quando
estávamos na iminência de colidir perdi a calma e mergulhei, passando a luz um
pouco acima de meu avião. Então, fiz desesperados esforços para alcançá-la,
desta vez disposto a abalroá-la, já que aparentemente nada de sólido parecia
haver na luz, capaz de oferecer perigo. Se meu avião, de qualquer modo, sofresse
algo ou pegasse fogo, jogar-me-ia de pára-quedas. Apesar da rápida subida do P-
51 a luz ainda se distanciava. A 14.000 pés meu avião voava a plena velocidade e
continuei subindo. A 17.000 pés, aproximadamente, a bola fez uma curva e
desapareceu, voando rumo N.E.. Na caçada não observei nem ruído, nem odor,
nem esteira de chama”.
5 – Caso New Jersey – Em 1.949 e 1.950 o caso de New Jersey alarmou
novamente os meios oficiais americanos. Na manhã do dia 10, cerca de 11:10
horas, um aluno do curso de radar fazia uma demonstração para autoridades

e na ocasião estava demonstrando o funcionamento automático do radar, isto
é, o aparelho é dirigido para um objetivo e passa a seguí-lo automaticamente.
Esclareça-se que o tal aluno fora escolhido porque era o melhor de sua classe.
Em certo momento, o aluno operava o radar dirigindo-o para o certo objetivo que
voava a baixa altura, cerca de 10 quilômetros a S.E. da estação e comandou para
“automático”, mas, com surpresa de todos, o radar não conseguiu acompanhar o
objetivo automaticamente. O aluno, muito embaraçado, explicou: -“O objetivo está
voando com velocidade excessiva para o aparelho, o que significa que via mais
veloz que um avião a jacto”.
O espanto foi geral. O objetivo manteve-se no escopo do radar por 3 minutos
ainda e não foi possível seguí-lo automaticamente. Finalmente saiu do escopo,
deixando todos estarrecidos.
Vinte e cinco minutos mais tarde o piloto de um avião de treinamento, a jacto,
conduzindo como passageiros um Major da Força Aérea e voando a 20.000 pés
sobre Point Pleasant, N.J., avistou muito abaixo de seu avião uma aeronave
em forma de disco, cor prata-fôsca. Disse que o objeto media de 30 a 50 pés de
diâmetro e descia na direção de Sandy Hook. O piloto inclinou o avião e começou
a perseguir aquela aeronave. Nessa hora, o disco parou de descer, como que
parou por instantes, depois seguiu em grande velocidade para o sul, fez uma
curva e desapareceu rumo ao mar. Às 15:15 horas foi recebido na estação de
radar um chamado para que fosse detectada uma aeronave, em grande altitude
que no momento achava-se onde desaparecera a primeira aeronave, a tal que
voava mais rápido que o jacto. O operador detectou-a e informou que se achava a
93.000 pés de altitude. Foi visto com binóculos possantes e parecia ser prateado.
Na manhã seguinte dois radares captaram outra aeronave que não pôde ser
seguida automaticamente. Subia, voava horizontalmente, descia, tornava a subir.
Quando subia o fazia quase verticalmente.
Um oficial que trabalhou no “Projeto Disco” ficou tão impressionado com o
fato que escreveu: -“Até àquele ponto eu havia executado o trabalho que me fôra
designado e prestava pouca atenção aos “Discos Voadores”. Mas o que ocorreu
em New Jersey fascinou-me. O que quer que tivesse acontecido ali, era, sem
dúvida, muito mais que as histórias sobre discos que havia lido nos jornais”.
Esse oficial era o Capitão Edward Ruppelt, da Força Aérea Americana.
Acrescenta ele que prometeu a si mesmo desvendar esse mistério de New Jersey,
custasse o que custasse, mas acaba confessando que não conseguiu fazê-lo.
6 – Caso de Washington – Tudo começou cerca de 9 horas da noite de 19
de Julho de 1.952. O centro de controle do tráfego do Aeroporto Nacional de
Washington observou estranhos sinais no radar. O que se assinalou parecia ter
o tamanho e forma de aviões que circularam sobre a região de Washington e de
repente desapareceram em tremenda velocidade. Houve certa ocasião em que

as estranhas aeronaves foram captadas simultaneamente pelos radares de 3
bases que fazem parte de um sistema seguro de rede de comunicações. Tratava-
se do Aeroporto Nacional e das Bases Belling e Andrews. Houve um momento
em que os 3 postos de radar captaram simultaneamente o que lhes pareceu
ser uma única coisa – seja lá o que for. O Aeroporto Nacional alertou os aviões
comerciais e pediu-lhes que ficassem atentos. Às 03:15 horas da madrugada um
avião da “Capital Airlines” que efetuava o vôo 307 informou ter visto luzes entre
Washington e Martinsburg, zona essa em que os radares haviam assinalado. O
piloto desse avião descreveu, posteriormente, o que havia visto. Disse ele que as
luzes pareciam, às vezes, parar e depois deslocavam-se, ganhando ou perdendo
altura. Esse piloto, comandante do avião tinha 17 anos de experiência de vôo.
Pouco depois dessa hora outro avião, este da “Capital National” informou que
uma luz o havia seguido até 4 milhas do aeroporto.
Então, recapitulando, houve captação simultânea por 3 estações de radar e as
estranhas coisas captadas foram também vistas por duas tripulações comerciais.
Os jornais do mundo inteiro abriram suas páginas com manchetes, tal a
celeuma que provocou, talvez pelo fato de se ter passado sobre Washington.
7 – Caso de Black Hills – Para finalizar a enumeração de casos extremamente
curiosos, vamos citar o que se passou na Dakota do Sul, em Agosto de 1.953.
Vamos reproduzir a versão de um próprio componente da equipe do “Projeto
Disco”, o Capitão Edward Ruppelt que fez parte do “Projeto” de 1.951 a 1.953.
-“Em 12 de Agosto de 1.953,uma mulher do Corpo de Observadores Terrestres
de Black Hills, da Dakota do Sul, informou haver avistado uma luz pairando no
céu, a este de sua posição. Dois operadores de uma estação de radar partiram
imediatamente para o local a fim de observarem pessoalmente de que se tratava.
A mulher ainda se achava no telefone, quando os observadores se puseram
à caminho. Enquanto perscrutando o céu, a mulher informou: -“A coisa está
começando a se deslocar para cima de Rapid City”. Ao mesmo tempo, os dois
operadores de radar verificaram que a luz começava a se movimentar. Voltaram
a sua estação para captá-la e a mulher informou agora que o objeto está voltando
para a posição inicial. O radar detectou-a naquele local.
Nessa ocasião, no ar, um F-84 foi dirigido para o objetivo. O piloto do caça a
jacto avistou a luz e começou a voar atrás dela. O objeto rumou para o norte com
o jacto atrás, e os operadores de radar observaram a perseguição nos escopos
de seu radar. O U.F.º (Unitedentified Flyinf Objects) manteve-se a frente do caça
e pareceu aumentar a velocidade quando o mesmo aumentou a sua. Depois de
perseguir o U.F.O. por 120 milhas, o piloto verificou que seu combustível estava
no fim e teve permissão para pousar. Quando o jacto fez a curva para regressar, o
U.F.O. imitou-o seguiu-o na viagem de volta.

Depois que o primeiro jacto pousou, decolou outro F-84 para retomar a
investigação. Foi-lhe comunicado a posição do objeto e seu piloto viu-o por cima
de sua cabeça. Subiu a 20.000 pés, informou que estava no mesmo nível da
luz e mais uma vez, o objeto rumou para o norte, com o jacto no seu encalço.
Novamente a perseguição foi detectada e acompanhada pelo radar de terra, em
cujo escopo se viam claramente o avião e o estranho objeto.
Na segunda perseguição, o piloto efetuou um certo número de testes para
anular alguns dos fenômenos comuns que têm sido tomados, por engano, como
sendo “Discos Voadores”. Apagou todas as luzes de bordo, inclusive do painel de
instrumentos e efetuou um giro, para certificar-se de que não estava perseguindo
o reflexo da cobertura de sua nacele. Observou cuidadosamente o objeto com
relação as estrelas e jurou que ele se deslocava em relação a elas, procurando
assim eliminar a possibilidade de estar perseguindo um planeta ou uma estrela.
Finalmente, quando lhe pareceu estava suficientemente perto e com o objeto na
linha de mira de suas armas, ligou os visores de tiro pelo radar. Esse tipo de avião
possui no painel de instrumentos uma luz que se acende o “lock-on” ao contato
com o objetivo pelos visores do radar. A luz ascendeu.
O segundo caça a jacto perseguiu a luz por 160 milhas para o norte, antes de
regressar à base. Desta vez, porém, o U.F.O. continuou seu vôo para o norte.
O Centro de Filtragem do Corpo de Observadores Terrestres instalado à frente
foi alertado e os observadores dali informaram que uma luz passou rumo ao norte,
deslocando-se em grande velocidade.
Foi uma ocorrência de aturdir. Houve detecções visuais simultâneas de dois
lugares na terra ligados por telefone; detecções simultâneas da terra e pelo radar;
detecções simultâneas, visuais do jacto e de terra; houve uma perseguição em
que o U.F.O. venceu o jacto em velocidade, uma inversão de rumo, uma segunda
detecção visual pelo piloto do jacto, confirmada pelo radar de terra, houve um
“lock-on” do radar de tiro do avião e, finalmente, uma detecção de terra a centenas
de milhas de distância.
Que era o objeto? Durante dois anos, de 1.951 a 1.953, voei 200.000 milhas,
conferenciei com dezenas de cientistas americanos dos mais notáveis e tomei
contato com uma coleção exótica de “birutas” de olhos esbugalhados, andei me
atolando nos pântanos da Flórida, saí da cama às 3 da madrugada para atender
a telefonemas transatlânticos, analisei dezenas e dezenas de vezes um curto
filme de cinema tirado por um amador, tudo isso num desesperado esforço para
responder a esta e outras questões idênticas”.
Esse é o sétimo e último caso que julguei interessante relatar neste momento,
na versão original do próprio pessoal do “Projeto Disco”.

IV – CONCLUSÃO.

Ainda dentro do roteiro que tracei, vamos, para terminar, reportar-nos a
conclusões de pessoas de responsabilidade que se têm pronunciado a respeito
de “Discos Voadores”. Chamamos, entretanto, a atenção para o fato de que
a conclusão final a esse respeito ainda está para vir. Com raras exceções,
é, geralmente, admitido que seja o que for que se possa concluir sobre fatos
observados, isso nada mais representa que “conclusão parcial” se assim podemos
chamar. Serão elas talvez aproximações para a conclusão final, que ainda algum
dia virá.
Como sabemos, são os Estados Unidos a potência que tem reunido maiores
recursos para a investigação disso que já se cognominou “a maior interrogação
de nosso tempo”. Pois bem, em 1.952 houve quase um pânico quando os discos
sobrevoaram Washington, somado isso ao grande número de aparições havidas
naqueles meses. A tal ponto foi o pânico que o governo viu-se forçado a ter de
pronunciar-se publicamente. Foi então convocada uma reunião de imprensa em
29 de Julho, no Pentágono, e o General-de-Divisão John Sanford, Diretor do
Serviço de Informações, viu-se frente ante a maior reunião de jornalistas que
havia desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Por aí, pode-se calcular o enorme
interesse público que os discos provocaram. Junto ao General Sanford achavam-
se o General-de-Divisão Roger Ramey, Chefe de Operações e quatro técnicos do
ATIC – Ais Technical Intelligence Center – Coronel Donald Bower e Capitães Roy
James, Burgoyne Griffing e Edward Ruppelt.
Nessa ocasião, o General Sanford felicitou o “Blue Book” por haver realmente
dado explicações aceitáveis a um grande número de casos investigados.
Todavia, foi categórico ao afirmar: -“Não obstante permaneceu uma
percentagem desse total – cerca de 20% - que procedeu de observadores dignos
de crédito e relativa a coisas incríveis para as quais até hoje não se conseguiu
uma explicação. Continuamos a nos preocupar com esses casos”.
Essa é a coragem moral, que o General Sanford mostrou de maneira
inequívoca e à qual me referi no começo deste trabalho. É a coragem de
confessar que não sabe.
Sendo apaixonante como é, o problema dos discos pode dar lugar a tudo que
se possa imaginar como atitude face a eles. Afirma-se, duvida-se, nega-se, ou
mesmo recusa-se a tomar conhecimento deles eximindo-se assim de afirmar,
duvidar ou negar. Será talvez a atitude mais cômoda, algo como a de espectador
sentado nas arquibancadas do Maracanã. E não se pense que essa atitude é
tomada apenas por conhecidos tímidos ou indecisos. Vultos preeminentes do
pensamento universal têm guardado essa atitude face aos discos. É que o “jogo” é
realmente perigoso, o terreno é escorregadio e essa atitude será talvez prudência,
se quisermos dar um nome a ela, usando um eufemismo.

Nem todo mundo tem a magnífica simplicidade do Doutor Menzel. Einstein,
por exemplo, está neste caso. Certo pastor evangélico escreveu-lhe sobre isso,
relatando que numerosas personalidades conhecidas de ambos, ou tinham visto
algo ou se haviam pronunciado a respeito e finalizava pedindo-lhe a opinião.
Einstein não tardou em dar-lhe a resposta:
-“Essas pessoas devem ter visto realmente algo. Não sei o que foi nem o que é
e não tenho nenhuma curiosidade de sabê-lo”.
(“O Globo”: 30-07-1.952).

Como acentuei, há de tudo. Desde os que não sabem, não querem saber e
talvez tenham raiva de quem sabe, até os que crêem com verdadeiro fanatismo.
São os “cultistas”. Fazem dos discos, verdadeiro culto. Têm clubes, sociedades,
associações, usam alfinetinhos na lapela, mantêm publicações periódicas. Falam
sobre discos como o islamita falaria do Alcorão.
Pelo que tenho observado na documentação que já cheguei a reunir, parece
predominar a crença de que os discos, ou não existem, sendo talvez ilusões de
óptica, ou são naves interplanetárias. Sobre esta última possibilidade, a própria
Força Aérea já se manifestou, admitindo-a. Há um Relatório da Força Aérea em
que se lê à página 18:
-“As notícias de objetos estranhos avistados nos céus têm circulado através
de gerações. Entretanto, os cientistas acreditam que se os marcianos nos visitam
agora, sem estabelecer contato, poder-se-ia afirmar que só recentemente tiveram
sucesso na viagem pelo espaço e que, seguramente sua civilização estava à
frente da nossa. Isto porque acham os cientistas que qualquer raça tecnicamente
superior não viria aqui apenas para demonstrar sua capacidade em forma de
misteriosas aparições através dos anos, aqui chegando de cada vez e voltando
sem tomar contato”.
(Do livro “The flying saucers are real”).

Mas, isso parece lógico perguntar por que nesse Relatório elege-se Marte para
a origem dos discos? Por que ensaiar-se, “explicação” sobre as razões por que
não procuram contato?
Há quem afirme que esses contatos têm sido procurados. Realmente, e afirma-
se com um encantador desembaraço ou com “soberba ignorância”, como afirma
Hugo Rocha em seu livro “O Enigma dos Discos Voadores”.
Além de Marte, há muitos outros astros que poderiam eventualmente ser
habitados por seres inteligentes. Vênus, coberto de nuvens de gás carbônico,
poderia ser habitado, admitem os cientistas.
A temperatura de Mercúrio é tal que derreteria o chumbo ou o estanho. Júpiter
parece ter uma atmosfera de amoníaco. Em Plutão, o Sol apareceria como uma

de nossas estrelas de segunda grandeza, cintilando sobre um mundo escuro e
frio.
Mas, isso tudo quer dizer muita coisa quando partimos da premissa de
que os seres que por lá existem devem ser semelhantes a nós, com idênticas
necessidades fisiológicas, forma, contextura, etc., etc..
Na verdade, isso pode não acontecer. Os seres que eventualmente habitem
outros astros talvez não tenham sido feitos à imagem e semelhança do homem.
Ainda hoje, continuamos a insistir na crença de que ocupamos o centro do
Universo, tudo girando em torno de nós. Quem existir pelo mundo afora deverá
ser parecido conosco. Ainda recentemente, no anteontem dos séculos, quase
jogamos Galileu na fogueira por ter tido a coragem de afirmar a monstruosidade
de admitir que a Terra girava em torno do Sol.
Ora, a vida pelo Infinito afora pode ser baseada numa química diferente.
A nossa química orgânica se baseia nos compostos de carbono e daí a vida
terrestre ter tomado a forma de metabolismo que lhe é fundamental. Como sugere
Pietro Ubaldi, “imaginai outros conglomerados e centros de matéria em que
os mesmos ou outros elementos químicos estejam diversamente dispostos e
compreendereis em que infinitas formas o mesmo onipresente princípio da vida
possa estar desenvolvido no Universo” (A Grande Síntese – página 212).
Perguntar, como pergunta o “Relatório” do “Blue Book”, por que não aterram
ou não tomam contato conosco os discos, caso venham de outros astros, é
uma pergunta sem sentido, segundo Raymond Cartier, com sua latina finura de
espírito.
Esses seres poderiam ser tudo ou mais que nossa débil imaginação pudesse
sonhar. Poderiam ser até imortais, segundo a opinião de certo teólogo, caso
tivessem sido criados nas mesmas de Adão e Eva, mas sem ter caído, como
nossos avós, no “conto” na maçã da Bíblia. Neste caso, poderiam andar por aqui,
talvez, procurando algum princípio de vida que eventualmente lhes faltasse lá
onde vivem. Com muito espírito, o comentarista gaulês observa:
-“Mas, nós não conhecemos nem os hábitos do salmão. Por que
conheceríamos os hábitos e costumes dos habitantes inteligentes do terceiro
satélite de ‘Próxima Centauri’.”
Em seu livro “Vida nos outros mundos”, o astrônomo H. Spencer Jones diz:
-“Não podemos definir a vida interplanetária, tomando por padrão nossos
próprios padrões; ela pode existir em formas que não nos sejam familiares. É
concebível que haja seres cujas células do organismo contenham silício, por
exemplo, ao invés de carbono, que é o componente essencial de nossas células, e
que por isso possam viver em ambientes que nossos organismos vivos terrestres
não suportariam como, por exemplo, extremo frio ou extremo calor”.

É comum ouvirmos explicações que procuram ajustar os fatos conhecidos a
simples fenômenos meteorológicos ou histeria coletiva.
Certa vez, em declarações públicas, dois astrônomos de Chicago
afirmaram que os discos poderiam ser meteoros. Na mesma ocasião o Doutor
Gurar Kiemper, Diretor do Observatório da Universidade de Chicago, nega
categoricamente que os fenômenos observados pudessem ser resultados de
meteoros, e apoiado pelo Diretor do Observatório de Northwestern, que tem a
mesma opinião.
Quanto à possibilidade de histeria coletiva, grande número de autoridades
no assunto, entre elas o Doutor Harry Steckel, psiquiatra da Administração de
Veteranos, se tem pronunciado negando que os fatos possam ser explicados
dessa forma. Essa explicação está tão desmoralizada que apenas é usada, uma
vez ou outra, pelos poucos informados.
A respeito de discos, há sempre lugar para tudo. Houve até quem imaginasse
que o mundo estivesse sendo vítima de uma brutal investigação, nunca se chegou
a insinuar partindo de onde. Parece-nos que, nesse caso, o segredo da burla
deveria estar fechado na mão de um reduzido número de poucos obstinados
farsantes que viviam, desde os tempos bíblicos, de geração em geração,
mistificando o mundo. Para que o segredo fosse mantido seria necessário que o
número dos que o conhecessem fosse realmente muito pequeno e, neste caso, se
algum dia se chegar a estarrecedora conclusão, Churchill “em qualquer parte não
sei de onde”, comentaria, certamente:
-“By God, nunca tantos, em tantos países, por tão longo tempo, foram
ludibriados por tão poucos”.
Infelizmente, para nós da Aviação, há certos pontos a respeito de discos,
em que parece não haver dúvidas. Um deles é que, certamente, voam. Daí a
responsabilidade das investigações sobre discos irem, invariavelmente, para às
mãos da Força Aérea.
Isto é terrível e o pessoal do “Blue Book” queixa-se amargamente de receber
acusações violentas. Acusam-nos no próprio país de estar ocultando a solução
do maior problema do homem moderno e da Rússia recebeu acusações de que
são “uns mistificadores preparando um cenário para a guerra fria”. Tacham-nos de
ingênuos e ignorantes, fantoches manipulados por poderosas e ocultas forças do
Pentágono.
É realmente de desesperar. A impressão que têm eles é que trabalham num
gigantesco jogo de armar. A cada peça que ajustam no lugar, mais duas são
acrescentadas à pilha dos enigmas.
Certa vez, um deles, desesperado, explodiu: “Por que diabo essas coisas não
nadam, para podermos entregá-las à Marinha?”

Outra ocasião, foi recebido de Virgínia um relatório acerca de um monstro de
metal que esguichou um gás sobre alguns garotos. Na mesma hora o telefone
“longa distância” soava: -Então, já que receberam o relatório, a que horas partiram
os investigadores? Que esperam?
-Diga-me, por favor, esse monstro que anda por aí tem disco?
-Bem, fala-se aqui que foram vistas umas luzes descendo perto, mas, na
verdade não se localizou nada.
-Diga-me, por favor, esse tal monstro anda ou voa?
-Segundo corre aqui em Virgínia o monstro anda pelo mato.
-Ah, isso é diferente. Se ele anda, o problema é do exército. Mas, se ele
começar a voar, telefone-me outra vez, por favor.
O fato indiscutível é que os discos têm preocupado o mundo inteiro, sobretudo
após a Segunda Guerra Mundial. Mais recentemente, com o que dizem ser
tentativas de contato da parte dos discos, passou a aparecer nova classe de
gente, esta preocupada com a recepção amistosa dos estranhos seres. O
Marechal Dowding, inglês, chega mesmo a recomendar certas precauções no
caso de aparições mais realistas de discos: -“Não se deve intentar, de nenhum
modo, a utilização de armas de fogo contra os discos. Uma loucura assim poderia
transformar uma curiosidade neutra em hostilidade ativa. Devemos levar em conta
que esses seres, chegados através do espaço, devem ter os meios de fazer-nos
lamentar que os obriguemos a defender-se”.
No congresso da federação Astronáutica Internacional foram emitidas
recomendações idênticas.
O Professor Buch Anderson, de Copenhague, resumiu a opinião de seus
colegas da seguinte maneira:
-“Na história da humanidade, pela primeira vez, existe a possibilidade de se
estabelecer uma comunicação inteligente no terreno físico entre a Terra e outros
planetas. Seríamos culpados de uma loucura extrema se fizéssemos algo que
perturbasse um contato que poderia trazer-nos bênçãos nunca imaginadas por
uma humanidade desolada”.
Na França, uma instituição oficial, a Comissão de Festejos e Propaganda, já
tratou oficialmente do assunto e seu Presidente, Mr. Raynand Rodel, já estudou
até um programa de recepção à primeira tripulação interplanetária que pousar na
França.

Vamos agora apresentar conclusões interessantes que colhemos em três
fontes diversas.

01ª - CONCLUSÕES DE DONALD KEYHOE.

01º- A Força Aérea sempre se mostrou preocupada e embaraçada a respeito
dos “Discos Voadores”.
02º- A Força Aérea parece ter começado a suspeitar a verdade logo depois da
morte do Capitão Mantell – ou, talvez, um pouco antes.
03º- O “Projeto Disco” parece ter sido criado para investigar e ao mesmo tempo
ocultar a verdade sobre os “Discos Voadores”.
04º- A Terra parece encontrar-se sob observação periódica de outro ou outros
planetas, pelo menos há dois séculos.
05º- Esta observação aumentou, subitamente, em 1.947, em seguida às
explosões de nossas bombas atômicas.
06º- a observação, agora intermitente, talvez faça parte de um inquérito de
longo alcance e continuará possivelmente.

02ª - CONCLUSÕES DE H. B. BARRACH E ROBERT GINA.
(Estudo largamente definido nos Estados Unidos em 1.952).
01º- Não são fenômenos psicológicos.
02º- Não são produtos de pesquisas dos Estados Unidos. Conforme declarou
Gordon Dean, Presidente da Comissão de Energia Atômica, nada há nas
experiências atuais que possa ser responsável por essas coisas e nada está
acontecendo, que ele saiba, capaz de explicar os fenômenos conhecidos.
03º- Não são experimentos russos. Não seriam eles tolos a ponto de fazerem
suas experiências sobre território americano. Nenhuma máquina construída pelo
homem está livre de “pane” e, mais cedo ou mais tarde, algum cairia e o segredo
estaria desvendado. Além disso, não são os russos, tecnicamente, capazes de
tais proezas.
04º- Não são distorções resultantes de atividades atômicas ou fenômenos de
aberração de aurora boreal. A esse respeito, consultado, David Lilienthal, antigo
comissário da A.E.C., respondeu: “Não posso impedir ninguém de dizer tolices”.
As perturbações magnéticas nunca poderão ser responsáveis pelos discos. Nem
tampouco os reflexos de camadas de ar aquecido, conforme insinuou o Doutor
Urner Liddel, físico da Marinha.
05º- Não são balões cativos, como a princípio o mesmo Doutor Liddel tentou
explicar. Realmente, há casos em que houve confusão com os balões “Skyhook”,
mas outros, positivamente, não se tratava de balões.
06º- Dificilmente seriam “vaga-lumes na nacele” ou reflexos, como sugeriu alta
patente da Força Aérea. A maioria dos observadores não se encontrava na nacele
quando viu discos.
07º- Na verdade são “becos sem saída”, se quisermos compreendê-los como
engenhos terrestres. Os cientistas tomaram os discos mais a sério que os leigos e,
após anos de estudo das informações colhidas, vários chegaram a concluir algo.

O Doutor Walther Redel, outrora projetista-chefe e diretor de pesquisas do centro
alemão de aperfeiçoamento de foguetes, em Penemunde, ora empenhado em
trabalho secreto para os Estados Unidos, nunca viu pessoalmente um disco, mas
tem tomado conhecimento de todos os casos registrados oficialmente.
Disse o Doutor Riedel: -“Estou plenamente convencido de que (os discos) têm
uma base fora da Terra”. Essa opinião do Doutor Riedel é compartilhada pelo
Doutor Maurice A. Biot, um dos mais notáveis especialistas em aerodinâmica dos
Estados Unidos, além de físico-matemático preeminente.
Declarou o Doutor Biot: -“Do ponto de vista aerodinâmico a forma do disco é
discutível, se se trata de navegar na nossa atmosfera. Possui elevada resistência
ao avanço (drag) e é sujeito a fenômeno de vibração, aliás já observado nalguns
discos. Contudo, fora de nossa atmosfera resistente, o disco tem vantagens
significativas. A esfera, teoricamente melhor, apresenta complicados problemas
de construção e utilização. O disco, mais fácil de construir, possui quase todas as
virtudes da esfera e mais algumas próprias. Tenho a impressão de que os discos
assinalados são engenhos construídos e controlados e possuem origem extra-
terrena”.
08º- Há explicações para os discos, mas as raízes profundas do fenômeno
ainda continuam resistindo a todos os nossos esforços de penetração, como o
céu escuro absorve o jacto de luz de um projetor. E quanto ás outras formas?
Por que não fazem ruído? Como explicar sua feérica iluminação? Que estranha
força os impele em fantásticas velocidades, mesmo no meio resistente de nossa
atmosfera? Que há a bordo deles? De onde vêm? Por que razão estão aqui? Que
pretendem os seres que os comandam?
09º- Diante dessas interrogações a Ciência e a Humanidade estão perplexas.
As respostas poderão vir dentro de uma geração ou, talvez, amanhã mesmo.
Algures nos céus inescrutáveis talvez exista quem as possa dar.

03ª - CONCLUSÕES DE ORLANDO PORTELLA, o tradutor , para o português,
do livro de Donald Keyhoe “The Flying saucers are real”:
-“Donald Keyhoe, depois de uma luta a que dedicou meses de intenso trabalho
passou suas experiências e conhecimentos pelo crivo da razão e revelou ao
mundo o produto das retortas de sua inteligência – a verdade sobre os “Discos
Voadores”. Uma verdade que fará arrepiar os cabelos dos que ainda estão alheios
às realidades do progresso universal e que farão pensar demoradamente os
homens mais cépticos. O documentário de Keyhoe, sob certos aspectos, é uma
segunda maçã que cai em cima da cabeça, desta vez não na do astrônomo
Newton, mas na de todos os homens que contemplam e interrogam o espaço
insondável.

***
A título de curiosidade, vamos mostrar o que pensam disso tudo alguns
homens nossos conhecidos aqui no Rio de Janeiro:

PAULO SAMPAIO, aviador militar, engenheiro civil e Presidente da Panair:
-“Intimamente acredito que o disco vem de Marte”.

DOMINGOS COSTA, antigo astrônomo-chefe do nosso Observatório Nacional:
-“Não tenho opinião formada a respeito, pois não conheço os “Discos
Voadores”. Acredito que sejam engenhos aqui mesmo da Terra, mas não me
surpreenderia se ficasse provada a procedência de outro planeta”.

MILTON SENA, jornalista, subsecretário de “O Jornal”:
-“Os espíritas sabem que há outros planetas habitados, onde a civilização
poderá estar muito acima da nossa. Assim como procuramos alcançar outros
mundos, é natural que de lá também nos procurem conhecer”.
BORBA TOURINHO:
-“Acredito que os marcianos sejam mais adiantados que nós. Queremos
mandar-lhes foguetes, eles se antecipam e nos mandam discos. Vamos tratar logo
de criar um Ministério de Relações Interplanetárias, com Adidos Culturais e de
Imprensa. Por falar nisso, sou candidato a uma vaga”.

JOSÉ OSÓRIO DE ALMEIDA, um pouco esquerdista:
-“Não tenho a menor dúvida, o disco é russo e os imperialistas ianques que se
cuidem”.

PAULO CORREIA, Secretário de “O Jornal”:
-“Todos os técnicos conhecidos já me explicaram o que é “Disco Voador” e,
é claro, com todos eles concordei, pois a argumentação que me apresentaram é
de forma a não deixar dúvidas. Assim, para mim, o “Disco Voador” é, ao mesmo
tempo, engenho de guerra russo, engenho americano, nave interplanetária e
talvez mesmo ‘sinal dos tempos’”.

ABELARD ROMEIRO, um desses homens felizes, que, às vezes, custam a
tomar conhecimento de coisas que estão empolgando meio mundo:
-“Disco...disco...que história de disco é essa?”

*

OS DEPOIMENTOS CATEGORIZADOS

Logo em seguida à conferência do Corone Adil Oliveira, o Doutor Flores
passou a apresentar à assistência algumas das testemunhas mais categorizadas
do fenômeno dos “Discos Voadores” no Brasil. Inicialmente, foi dada a palavra a
João Martins, repórter de O CRUZEIRO, apresentado juntamente com o fotógrafo
Ed. Keffel. O Doutor Flores, conforme procedeu com todas as outras testemunhas,
pronunciou algumas palavras esclarecedoras acerca da vida profissional dos dois
jornalistas, da idoneidade que os dois possuem, assim como adiantou alguns
dados acerca da reportagem realizada por ambos, das investigações feitas
sobre a mesma e do crédito que merece. “Não foi possível produzir fotografias
semelhantes, nas mesmas circunstâncias em que aquelas foram tiradas”,
concluiu. Por outro lado, o filme também foi apresentado aos interessados,
exclusivamente a fim de desmentir os rumores veiculados por certa imprensa mal
informada ou de má-fé, segundo os quais o filme teria sido vendido por alta soma
a uma potência estrangeira.
O repórter João Martins fez um relato minucioso, não só do que havia
presenciado, como também revelando detalhes e circunstâncias que cercaram
o fato. Deixamos de dra aqui o seu depoimento por já ser o mesmo do
conhecimento geral através das reportagens que O CRUZEIRO publicou na época.
Em seguida, foi dada a palavra ao Comandante Nagib Ayub, cujo depoimento
confirmou inteiramente o que João Martins já havia publicado na primeira
reportagem da recente série denominada “Na Esteira dos Discos Voadores”.
A sua história, conforme os leitores decerto se lembrarão, é uma das mais
impressionantes: o seu avião foi seguido, por cerca de duas horas, por uma bola
luminosa que fazia evoluções, fato confirmado pelas tripulações de outros dois
aviões.
Damos a seguir os outros depoimentos, que acrescentam, naturalmente,
novos e esclarecedores detalhes ao verdadeiro mistério dos chamados “Discos
Voadores”, tal como foram pronunciados pelos seus autores, de improviso,
gravados e taquigrafados.
*
DEPOIMENTO DO TENENTE HERNANI FERRAZ DE ALMEIDA PILOTO DO
AVIÃO A JACTO.
No dia 24 de Outubro próximo passado, estava de oficial de dia, na Base
Aérea de Porto Alegre, quando, aproximadamente às 13:00 horas da tarde, eu fui
chamado por um sargento dizendo o seguinte: Tenente estou vendo sobre a
Base um “Disco Voador”. Ora, um “Disco Voador” para mim, naquela época ou
agora, era um fato muito interessante. Eu gostaria de ver. Eu, então, disse para o
sargento: Ótimo. Vamos ver o tal do “Disco Voador”; Ele me levou até a um
alojamento de praças que tem na Base Aérea de Porto Alegre. Lá eu constatei a

existência de um objeto que pairava sobre a Base, de cor de alumínio, um
alumínio fosco, parecido mesmo com a cor dos nossos aviões a jacto. Todo
mundo conhece a cor de alumínio: fosco. Este objeto, que pairava sobre a Base,
refletia uma luz. Tinha movimentos circulares e andava para à frente e para trás,
de um lado para outro. Agora, esse movimento, inicialmente eu sei que como
estava na vertical, como eu estava olhando na vertical seria influência de minha
respiração, talvez. Então, deitei-me no chão, fixei um telhado como ponto de
referência e aí pude verificar que, de fato, o objeto estava parado sobre a base, se
movia, tinha movimentos, movimentos vagarosos. Em relação a quem está
olhando aqui debaixo, tinha a impressão de que era um movimento que se
desloca devagar. Agora, eu, como piloto de avião a jacto, acostumado a ver um
jacto se deslocando à grande altitude, seja a 40.000, 45.000 pés, que já fui a
45.000 pés com um jacto, acho uma velocidade tremendamente grande, coisa
nunca vista. Nunca tinha observado um objeto se deslocar com essa velocidade.
Aí, então, procurei outros oficiais para que pudesse constatar, por que, até então,
o único oficial, que estava vendo, era eu. Havia cerca de 10 sargentos e outra
dezena de praças. Foi quando eu voltava ao cassino dos oficiais e encontrei-me
com o Major Magalhães Mota. Dei ciência do ocorrido e disse: Major, tem um
corpo sobre a Base. Eu gostaria que o senhor desse uma olhada. Ele me
perguntou onde é que estava. Eu conduzi o Major até o lugar onde pudesse ver
também o objeto. Então, passo a palavra ao Major Magalhães Mota.

DEPOIMENTO DO MAJOR-AVIADOR JOÃO MAGALHÃES MOTA.
...esse objeto foi observado em diversos locais. Como o Tenente Hernani
disse, eu havia chegado à Base naquele momento. Voltava, às duas horas da
tarde. Quando o Tenente me mostrou o objeto, vi a olho nu, nitidamente, e tive
a mesma sensação que o Tenente, isto é, que a velocidade era muito alta, uma
vez que a altura era muito grande. Ele se deslocava ora para um lado, ora para
outro, com movimentos bem nítidos, e na altura em que ele estava para que esses
movimentos fossem com a nitidez que ele tinha, era preciso que a velocidade
fosse altíssima. Durantes uns 15 ou 20 minutos, ficamos observando esse objeto.
E, em seguida, fomos até o cassino de oficiais. Nessa hora, já a movimentação
era muito grande. Havia um maior número de praças e de sargentos e, talvez, já
uns cinco ou seis oficiais-aviadores que tinham visto. No momento em que nós
saíamos outra vez do cassino pela escada. O Tenente disse: Major, ele está se
movendo agora. Eu olhei e estava, aproximadamente, a uma altura de 90º. Eu
vinha da cidade. Estava convidado para assistir a umas demonstrações e eu ia
ao quarto hangar para mudar de roupa, colocar macacão de vôo, equipamento
de vôo e ficamos em frente ao hangar olhando o objeto, todos olhando e
comentando, e o Tenente Hernani, nesse momento, foi verificar a possibilidade da

existência de balões-sonda. A Base Aérea de Porto Alegre dispõe de uma seção
operada pelos americanos que larga balões-sonda, com rádio para observação
de ventos em altitude. O Tenente Hernani vai dizer o que ele verificou na estação
meteorológica.

TENENTE HERNANI.
Após o encontro com o Major Magalhães Mota, que se dirigia ao hangar, eu
procurei me certificar do movimento e, enfim, da forma daquele objeto. Então me
dirigi à torre de controle da Base Aérea de Porto Alegre. Lá, na torre, nós
conseguimos binóculos possantes, dos últimos tipos, enfim, ótimos binóculos. Lá,
na torre, também tive oportunidade de estar sentado ao solo e observar com
referência, também, aos telhados. É que eu queria ter certeza ainda de
movimentos do objeto. Verifiquei, de fato, o movimento circular, que, ora para um
lado ora para outro, de fato foi constatado. Aí resolvi fazer um desenho. Tomei
uma caixa de fósforo – estava deitado, com o binóculo assestado, etc. – comecei
a fazer um desenho do que eu estava realmente vendo. A forma, o objeto que eu
vi aparentava uma estrela minúscula num ângulo de 45º. Agora não era uma
estrela com pontas nítidas, eram desbotadas, as 5 pontas desbotadas. Afora, foi
nítido, eu vi com uma nitidez cem por cento. O céu estava azul, completamente
não existia nuvem de espécie alguma, de forma alguma. Quer dizer, eu, fazendo o
meu desenho, estava dando a conta exata do que estava vendo. Não satisfeito
com isto eu saí da torre e fui até a estação meteorológica americana para
constatar se eles haviam largado balões-sonda para exames de meteorologia,
estudos meteorológicos. Cheguei lá encontrei um sargento americano e perguntei
se eles tinham teodolitos. Eu queria saber a altura exata. Eu calculo na ordem de
mais de 40.000 pés. Agora, essa ordem de mais de 40.000 pés eu sigo. Como já
disse eu estou acostumado a ver aviões voando, a toda hora eu olho o céu, vejo
um avião, calculo a altura etc. e tal. É por isso que eu digo que a ordem de altura
seja de mais de 40.000 pés do objeto que estava vendo. Perguntei ao sargento
americano se ele não tinha largado balões-sonda naquele dia. Negativa.
Completamente fechada a seção, nós não temos aparelhos aqui, o teodolito está
fechado num carro de radar que eles tem lá, de maneira que eu não posso lhe
emprestar, não tenho chave etc. e tal. Aí eu mostrei ao americano, disse: olhe
aqui, não tem balão nenhum no ar. Ele disse: não tem, de fato não tem. Então eu
disse, vamos ao oitavo hangar; eu vou lhe mostrar um objeto interessante que
passou pela base. Aí mostrei o objeto que até então estava vendo. O americano
ficou maluco com o negócio. Disse. Ah! uma coisa não é possível. Eu disse: Não,
o senhor não está vendo? O que o senhor está vendo? Ele disse: estou vendo, de
fato, um objeto em cor brilhante, em alumínio, que tem uma forma redonda e que
se movimenta em círculo ora de um lado, ora de outro. Assim, então, como você

está vendo exatamente o que eu acabo de ver. Não é? Eu saí dali, fui para o
hangar e disse para o Major Magalhães Mota: Major não tem nenhum balão no ar.
E a maneira como esse objeto se apresentava não podia ser de espécie alguma
um balão, porque um balão, se olhando, ele tem a forma de uma esfera. Qualquer
que seja o ângulo em que se apresente é sempre uma esfera, sempre uma
circular, uma circunferência. E esse objeto era variável de forma, devido à posição
dele não é? Era forma de estrela, ou circular ou de circunferência. Aí falei ao
Major: Major Magalhães Mota lá no hangar está observado por diversos oficiais,
aviadores civis e praças. E aí constatei a existência de mais um disco, ou seja,
mais um objeto. Para mim era um objeto até então. A existência de um aparelho
de movimento fixo e outro se aproximando a grande velocidade. Esse objeto
parou, um ao lado do outro, um fixo, e o outro continuou o movimento, ora de um
lado, ora de outro, circular e desapareceu. Às vezes que eu avisei o Major
Magalhães Mota da velocidade eu vi aproximadamente a 90º seja, na vertical. Eu
vi o objeto descrever um arco de 60º no céu. Saiu da vertical e desapareceu num
ângulo de 30º com o horizonte. Desapareceu, porem, no Infinito. Não alcancei
mais e, à proporção que ele se afastava, vi perfeitamente. Era redonda e à
proporção que se afastava tomava a forma de um charuto. O mais interessante
que eu achei era a grande velocidade dele. Nunca vi uma coisa igual com uma
velocidade tremenda. Eu calculo que o tempo que ele levou da vertical ao ângulo
de 30º fosse entre 8 e 10 segundos, no máximo 10 segundos. E, à proporção que
ele se deslocava, criava em volta dele uma nebulosidade, um halo, esse halo
desaparecia quando ele parava. Quando estava parado, dava a impressão de
parado, desaparecia completamente aquele halo, que à proporção que ele se
deslocava aumentava em volta do círculo. Pude observar até às 04:30 horas da
tarde, hora em que trabalho, tive que fazer um vôo de demonstração também e foi
a última vez que o vi. Vi durante 3 horas e meia num céu azul e sem dúvida
alguma eu desenhei o objeto numa caixinha de fósforos.
Mostrei ao Major, que até então não tinha observado. O mais interessante é
que antes eu não tinha lido absolutamente nada a respeito de “Discos Voadores”
ou coisas de forma redonda, enfim, que pudessem aparecer numa revista etc.
e tal. Às 9 horas da noite o Major se encontrava no cassino dos oficiais, quando
eu disse a ele: Eu faço questão agora de ler a reportagem que estava no O
CRUZEIRO. Foi então que o Major Magalhães Motta, que estava com a revista
na mão, passou-a para mim. Aí, então, é que fui ler e fui comparar o desenho
que eu tinha feito com as fotografias apresentadas pelo O CRUZEIRO. Quanto à
semelhança, não resta a menor duvida, são idênticas. Era só o que tinha a dizer.

MAJOR MAGALHÃES MOTA.

Uma vez que o Tenente Hernani terminou a parte dele vou completar a minha.
Uma vez que o Tenente Hernani foi para a torre de controle eu continuei junto à
porta do hangar e observei a chegada de um segundo objetivo. Ele veio
velozmente na direção nordeste e parou junto do outro rapidamente. Só levou três
segundos, numa velocidade enorme que ele trazia até ficar parado e continuou a
mover-se em torno do outro que continuava parado. Nesse momento um dos
discos tomou novamente a direção este-oeste e nesse momento eu cronometrei
oito segundos, na primeira vez que ele foi de 80º de altura a 30º e no regresso
cronometrei 10 segundos. O tempo que ele levou de parado a atingir aquela
altura, que para mim era de 40 a 50.000 pés a velocidade máxima, foi de dois a
três segundos e a descida no mesmo tempo. Como a altura que eu calculei por
hábito fosse de 40 a 50.000 pés ele deve ter atingido uma velocidade máxima
variando entre sete e oito mil milhas por hora, se eu não errei o cálculo da altura,
o que é possível. Se eu tivesse errado pelo dobro, ele teria uma velocidade pela
metade; e se tivesse errado pela metade, ele teria uma velocidade dobrada. É
difícil a gente errar pelo dobro ou pela metade uma observação de altura pelo
hábito, que nós temos, de observar. O diâmetro aparente sendo visto um avião
Meteor vindo a 40 e 45.000 pés freqüentemente eu calculo de três a quatro vezes
de envergadura de um Meteor, que é de 10 metros e setenta, ou seja, o diâmetro
devia ser entre 30 e 40 metros, nitidamente visto, com todos os detalhes. O halo
que o tenente Hernani citou, eu verifiquei na mesma situação. Parado, ele
diminuía sensivelmente; andando, ele crescia, crescia uniformemente em torno do
móvel, do objeto. Além do mais, o objeto quando parado fazia este movimento.
Quando no horizonte, eu via um círculo. Nessa posição eu não tinha observado as
formas até que o Tenente Hernani me chamou a atenção. Eu vi através de um
binóculo menor do que o Tenente Hernani tinha, porém eu via com bastante
nitidez as formas. Ele me parecia na parte superior uma cúpula e na parte inferior
duas ou três protuberâncias que eu não posso explicar direito o que seja. De
qualquer forma as fotografias do O CRUZEIRO confirmam, perfeitamente, a minha
observação. Continuando a observação junto à porta do hangar, surgiu a hipótese
da psicose coletiva de que todos falam. Para evitar este caso, o hangar de Porto
Alegre tem duas portas, uma distante da outra cerca de 60 metros de um lado do
edifício a outro lado do edifício. Eu fui ao outro lado do edifício e havia alguns
sargentos, vários soldados e civis, que nesse momento, lá viam os dois discos ou
os dois objetos parados sobre a base. E eu perguntei o que eles estavam vendo.
Eles disseram: Major, há um parado e outro deslocando na direção oeste-este,
lentamente. Eu vim até o outro lado do edifício e fiz a mesma pergunta: a resposta
foi idêntica, como um não tinha contato, um grupo não tinha contato com o outro
grupo eu fui obrigado a eliminar a hipótese de psicose. No momento do
desaparecimento eu vi um disco desaparecer par acima ou um objeto. Ele ficava

naquela movimentação e foi subindo rapidamente e foi diminuindo, diminuindo,
até desaparecer totalmente. O outro se movimentou na direção que eu calculo
suleste. E eu não vi mais. Ah! É natural que eles perguntem por que eu não voei
naquele momento para ir ver. O caso é o seguinte: eu já tinha, há uma semana
antes, decolado para ver um objeto que sobrevoava Osório. Osório é um campo
de aviação nosso, cerca de 90 milhas de Porto Alegre. Eu já havia feito uma
observação pelo Tenente Guise, um oficial da FAB. Eu decolei de Porto Alegre
num avião a jacto e subi rapidamente para 45 pés ou sejam 15.000 metros. E não
vi. Não vi e as condições do tempo não eram satisfatórias, nós tínhamos,
aproximadamente, três a quatro oitavas de nuvens na área de Osório. De modo
que nessa oportunidade, que eu estava vendo, não quis perder. Fui procurar um
binóculo fui me informar e pedir ao Tenente para verificar a questão
meteorológica, etc.. Além do mais, um avião Meteor, na altitude de 45.000 pés,
oferece certas características de vôo que impedem ao piloto de fazer uma
observação precisa no espaço e essas portas de vidro tem reflexos muito nítidos e
sensíveis dificultando tremendamente a observação. Para as observações do
resultado acima era necessário que eu abandonasse completamente o avião, pelo
menos a observação dos instrumentos, o que não me permitia manter a altura dos
45.000 pés. Não se consegue voar o Meteor a 45.000 pés sem prestar atenção ao
avião. Quer dizer, a minha observação externa ficaria prejudicada de modo que eu
resolvi não decolar. Aliás eu conversei com o Tenente Hernani se valia a
Pena decolar ou não valia e cheguei à conclusão de que não valia. Hoje, talvez,
lamente um pouco não ter decolado, mas na hora não foi possível. E o caso
também da fotografia. Todos perguntam por que nós não tiramos fotografias.
Domingo, a seção de fotos da Base estava fechada, a seção fotográfica. Nós não
tínhamos máquina na mão. Não se pensou no caso, todo mundo estava mais ou
menos num estado de excitação devido à observação do objeto, e nós ficamos
naquela indecisão e não fotografamos. De qualquer modo a observação foi
absolutamente nítida. Não poderia ser, absolutamente, nada que eu conheça. Eu
já tenho visto muito o planeta Vênus. E todos perguntam se nós não confundimos.
O azimute, à altura de Vênus não coincidia, no momento, com o azimute à altura
do objeto observado, que era, aproximadamente, 350º do azimute 80º de altura.
Vênus não coincidia no momento. Além do mais, não se vê Vênus movimentando
para baixo e para cima, andando para lá e para cá. Não existem dois Vênus no
espaço para uma parar ao lado da outra. E a cor, com que se observa Vênus
durante o dia, não é a que foi observada por nós. O objeto oferecia uma cor
exatamente igual á do nosso avião Meteor, isto é, um prateado pintado não é
prateado metálico. Há uma grande diferença nos aviões que não são pintados.
Isto é, são metálicos mesmo. O metal aparece. É o caso dos nossos aviões
Meteor em que a pintura é prateada. De modo que não havia possibilidade de

confusão com coisa alguma que eu tivesse visto e a velocidade era acima de
qualquer coisa que eu já tinha conhecido antes. Era só.

DEPOIMENTO DO SR. THELMO BRAGA, FUNCIONÁRIO ESPECIALIZADO
DO SERVIÇO DE SAÚDE PÚBLICA.
No dia 15 de Novembro, às 4 horas e trinta minutos da manhã, eu tinha um
encontro marcado com um amigo numa praia para fazermos uma pescaria. Passei
lá o sábado, domingo e segunda. Ele acordou um pouco mais cedo do que eu e
foi à casa de um pescador. Marcamos o encontro numa praia. Era a primeira vez
que eu vinha a Cabo Frio. E eu não conhecia ainda bem a cidade. Ele saiu antes,
para encontrar o pescador, marcou o encontro comigo na praia e eu saía depois.
Eu havia fechado a vidraça do carro e, quando gritei para que ele esperasse, ele
não ouviu e não viu o meu sinal, também, para me apanhar, porque estava
conversando com o pescador. Então, eu resolvi ir atrás, de automóvel, para o
lugar que tínhamos combinado. No fim da rua principal de Cabo Frio eu me
enganei sobre o lugar para onde devia seguir e segui para uma outra praia errada.
Terminando a rua, onde começa a descida para a praia, eu avistei – não posso
dizer, como disse o Tenente e o Major, um objeto – eu vi um “Disco Voador”.
Estava mais ou menos a uns 80 metros de altura e a uns 500 metros de distância.
Estava parado. No momento em que eu avistei o objeto, na mesma hora baixei a
cabeça para continuar a andar. Mas não ouvi barulho nenhum de motor, nada.
Disse: Bom, avião não é. Na mesma hora pensei que fosse um avião, porque tem
uma coisa engraçada. Quando eu voltava de Cabo Frio atravessando a Baía da
Guanabara, mais ou menos às 5 e meia, chegam muitos aviões do Rio a esta
hora. E quando o avião vem entrando na barra, que está se aproximando da
entrada da barra, o senhor vê um traço; quem está em frente vê um traço e depois
sabe que é um avião porque, à proporção que vai se aproximando, o senhor vai
vendo a cabina, as asas, as hélices e tudo. Mas o disco quando está parado é a
mesma coisa que um avião visto no horizonte. Então tornei a olhar pensando que
fosse um helicóptero. Mas também não tinha hélices e então eu vi que era mesmo
um disco. Eu vi. Estava a uns 80 metros de altura da praia e a uns 500 metros de
distância do local em que estava. Ele estava parado. E a parte de cima, o formato
dele embaixo é mesmo como um pires; em cima é um pires abaulado um pouco,
tendo na parte superior algo como se fosse um capacete militar. Desses
capacetes de aço. Ele tem também uma coisinha um pouco mais alta no centro.
Esta, no momento em que eu avistei, não sei se foi porque já estava na hora
mesmo do disco ir embora, ele recolhe esta parte de cima, embute no prato de
cima, vira a desaparece. Movimenta-se. Agora, esta parte que volta novamente
para a parte de cima do disco é cercada por um...não sei se é vidro, matéria
plástica ou o que é. Naturalmente não posso saber...é colorido. E encaixando

novamente na cúpula do disco. Ele desaparece mesmo com uma velocidade,
talvez, de se perder de vista. Em 10, 15 segundos não se avista mais. Dá a
impressão que a parte de baixo, quando ele incorpora ao aparelho aquela parte
de cima, que recolhe alguma coisa embaixo também. Mas não tenho certeza
porque ele inclina não se pode mais ver a parte de baixo e o que tem embaixo
parece-se com esses tubos que têm os aviões a jacto, mas, talvez, uns seis ou
oito tubos juntos, como dos dedos da mão. E vi muito pouco tempo, talvez uns 15
ou 20 segundos só.

BRIGADEIRO GUEDES MUNIZ (FINALIZANDO).
Na realidade nós ouvimos com prazer todas as informações que o Coronel
Adil nos trouxe. Apenas ele fez uma observação muito interessante: ele não sabe
por que os cientistas e os técnicos não têm falado muito sobre esse assunto dos
“Discos Voadores”. E nós, técnicos militares e os engenheiros do Exército, da
Marinha e da Aeronáutica, ficamos um pouco em choque perante o Coronel Adil
porque não dissemos nada ainda a respeito da possibilidade técnica ou científica
desses vagabundos dos espaços. E não fizemos nada. E não diremos nada
ainda porque nós nos recordamos, sempre, de uma velha anedota, a do besouro,
muito velha, mas muito oportuna de ser lembrada aqui. Há tempos reuniram-
se vários dos melhores engenheiros aeronautas do mundo inteiro para estudar
o besouro. Estudaram o besouro, a sua forma aerodinâmica tremendamente
errada, sua superfície alar tremendamente deficiente, sua potência impossível. E
esses técnicos, depois de todos os cálculos, depois de todas as demonstrações
científicas, provaram, por a mais b, que o besouro não poderia voar. E o besouro,
como ao sabe nada disso, continua voando.
***
[TÉRMINO DA TRANSCRIÇÃO INTEGRAL]
***

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