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- Internacionalização da Amazônia & Outros.
QUEREM INTERNACIONALIZAR A NOSSA AMAZÔNIA
[Revista “Manchete”: 05 de Julho de 1.997 – Carlos Chagas]
A OPERAÇÃO DE CONQUISTA JÁ COMEÇOU.
TROPAS ESPECIAIS TREINAM NA FLÓRIDA PARA “GUARDAR A FLORESTA
AMAZÔNICA”.
AO CONTRÁRIO DO QUE OS BRASILEIROS PENSAM, A AMAZÔNIA É DE
TODOS NÓS (Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos).
*
CRESCEM EM TODO O MUNDO AS PRESSÕES CONTRA A SOBERANIA
BRASILEIRA NA AMAZÔNIA.
AS FORÇAS ARMADAS, CONSCIENTES DO PERIGO, SE PREPARAM PARA
RESISTIR.
***
As tentativas começaram no início do século passado, jamais desapareceram e agora
constituem risco iminente. As riquezas da região, mais do que as preocupações ecológicas,
levam os países desenvolvidos a contestar a soberania brasileira sobre a Amazônia, sob o
pretexto de que eles precisam cuidar das florestas e do ar que respiram, como declarou o
presidente Bill Clinton, na mesma semana, na véspera da abertura da sessão especial das
Nações Unidas que debateu a questão ambiental.
O presidente Fernando Henrique abriu os trabalhos num discurso duro, onde criticou
o desinteresse das nações ricas em cumprir os compromissos assumidos na Rio-92
e denunciou que o meio ambiente passou a ser utilizado como pretexto para práticas
protecionistas que minam as bases do desenvolvimento sustentado e de um sistema
econômico internacional aberto. “Ficou mais fácil cobrar e acusar do que fazer” – disse
o presidente, acrescentando a necessidade de diminuição dos gases que provocam o
aquecimento do Planeta e são causados pelo CFC (clorofluorcarbono), gerados pelos
aerossóis, escapamentos de veículos e a produção de parte das indústrias do Primeiro
Mundo. Também surpreendeu a própria equipe econômico-financeira do governo ao
anunciar a súbita retomada do Plano do Álcool, para diminuir a poluição.
Coincidência ou não, Bill Clinton, em entrevista à imprensa, exigiu a redução
significativa de gás carbônico e centralizou suas críticas nos países que queimam parte
de suas florestas. O presidente estadunidense desmarcou encontrou que tinha com FHC,
preferindo viajar para a Califórnia para um encontro com prefeitos do interior daquele
estado.
Certas organizações não-governamentais servem de instrumentos para a cobiça
internacional e sua estratégia, agora, é usar a mídia para convencer a todos, desde
as crianças, que não temos capacidade para conservar a Amazônia, “que pertence à
Humanidade”. Assim, daqui a alguns anos, quando um organismo supranacional qualquer
decretar a internacionalização, ninguém reagirá: estarão todos com a cabeça feita e acharão
perfeitamente natural a ocupação, para a qual, aliás, já treinam batalhões especiais na
Flórida, e Panamá, destinados a “guardar a floresta Amazônica”.
A fase operativa da conquista já começou, na palavra deles mesmos. Nossas Forças
Armadas estão conscientes do perigo. Faz alguns anos que deslocam cada vez mais
unidades para a região. Reconhecem, porém, que não resistiríamos a um ataque armado
por mais de dez dias, se ele se fizesse sobre as principais cidades amazônicas. A solução,
conforme um ministro militar, “seria nossos guerreiros se transformarem em guerrilheiros,
porque entrar, eles entram, mas sair, ficará difícil...”
*
-“O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos
internacionais competentes” (Gorbatchóv).
*
Em Abril de 1.817, o capitão da Marinha dos Estados Unidos, Mathew Fawry, famoso
por seus trabalhos em oceanografia, enviou à Secretaria de Estado um estranho mapa da
América do Sul, redesenhada por ele. O mapa ia em adendo a um memorando secreto que
ele havia encaminhado em 1.816, sob o título “Desmobilization of the colony of Brazil”. O
comandante Fawry não era obrigado a conhecer detalhes de nossa política, porque naquele
ano não éramos mais colônia de Portugal. Havíamos passado a Reino Unido a Portugal e
Algarves, por ato de dom João 6º, mas isso era de menor importância para os objetivos do
brilhante oficial naval estadunidense.
Porque no mapa, e no memorando anterior, ele sugeria que os Estados Unidos tomassem
a iniciativa de estimular a criação dos “Estado Soberano da Amazônia”, incluindo a região
limitada pelas Guianas atuais, pela fronteira da Venezuela e da Colômbia, ao Norte, e,
ao Sul, por uma linha reta que começaria por São Luís do Maranhão e hoje terminaria no
ponto estremo onde Rondônia se limita com Mato Grosso.
As sugestões do sr. Fawry não paravam aí, em sua intenção de desestabilizar o Brasil,
porque sugeria também a criação da República do Equador, que nada tinha a ver com
esse país, mas englobaria os atuais Estados brasileiros de Sergipe, Alagoas, Pernambuco,
Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e parte do Maranhão. Queria, ainda, a
“Província Autônoma da Bahia” e, lá embaixo, a “República Riograndense”. O que
sobrasse seria o Brasil...
Coincidência ou não, em 1.823 eclode no Nordeste a rebelião contra Dom Pedro 1º,
com o Brasil já transformado em Império. Que nome deram os revoltosos de Manoel Paes
de Andrade e do frei Caneca à república que fundaram e logo se viu batida pelas forças
imperiais? Confederação do Equador...
LINCOLN SUGERIU UM ESTADO LIVRE NA REGIÃO.
Mais tarde, em plena Guerra Civil Estadunidense, Lincoln faz a Proclamação de
Emancipação, a 22 de Setembro de 1.862, declarando “desde já e para sempre livres
todos os escravos existentes nos Estados rebeldes”. Com a vitória da União, o presidente
estadunidense encontra-se com uma representação dos negros libertados e lhes sugere,
conforme proposta do general James Watson Webb, ministro plenipotenciário de
Washington junto à Corte de Dom Pedro 2º, a criação de um Estado Livre dos negros
estadunidenses. Ode? Na Amazônia... Dom Pedro 2º perdeu noites de sono mas, ao final,
foi salvo pelo próprio grupo de negros que Lincoln havia convocado. A resposta deles foi: -
“Não aceitamos a proposta, porque este país também é nosso!” E ficaram por lá mesmo, até
hoje.
São reminiscências do passado, coisas de antanho, essas investidas sobre a Amazônia?
Tomara que fossem, valendo alinhar alguns comentários recentes de líderes da atualidade:
-“AO CONTRÁRIO DO QUE OS BRASILEIROS PENSAM, A AMAZÔNIA NÃO É
DELES, MAS DE TODOS NÓS”. (Al Gore, 1.989, vice-presidente dos Estados Unidos).
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OS PAÍSES INDUSTRIALIZADOS NÃO PODERÃO VIVER DE MANEIRA COMO
EXISTIRAM ATÉ HOJE SE NÃO TIVEREM À SUA DISPOSIÇÃO OS RECURSOS
NATURAIS NÃO RENOVÁVEIS DO PLANETA. TERÃO QUE MONTAR UM SISTEMA
DE PRESSÕES E CONSTRANGIMENTOS GARANTIDORES DA CONSECUÇÃO DE
SEUS INTENTOS”. (Henry Kissinger, 1.994, ex-secretário de Estado estadunidense).
-“O BRASIL DEVE DELEGAR PARTE DE SEUS DIREITOS SOBRE A AMAZÔNIA
AOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS COMPETENTES”. (Mikhail Gorbatchóv, 1.992,
ex-ditador da extinta União Soviética).
-“0 BRASIL PRECISA ACEITAR UMA SOBERANIA RELATIVA SOBRE A AMAZÔNIA”.
(François Mitterand, 1.989, então presidente da França).
-“AS NAÇÕES DESENVOLVIDAS DEVEM ESTENDER O DOMÍNIO DA LEI
AO QUE É COMUM DE TODOS NO MUNDO. AS CAMPANHAS ECOLOGISTAS
INTERNACIONAIS QUE VISAM À LIMITAÇÃO DAS SOBERANIAS NACIONAIS SOBRE
A REGIÃO AMAZÔNICA ESTÃO DEIXANDO A FASE PROPAGANDÍSTICA PARA
DAR INÍCIO A UM AFASE OPERATIVA, QUE PODE, DEFINITIVAMENTE, ENSEJAR
SOBRE A REGIÃO”. (John Major, 1.992, então primeiro-ministro da Inglaterra).
-“A LIDERANÇA DOS ESTADOS UNIDOS EXIGE QUE APOIEMOS A DIPLOMACIA
COM A AMEAÇA DA FORMA”. (Warren Christopher, 1.995, quando secretário de Defesa
dos Estados Unidos).
-“SE OS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS NÃO CONSEGUEM PAGAR SUAS DÍVIDAS
EXTERNAS, QUE VENDAM SUAS RIQUEZAS, SEUS TERRITÓRIOS E SUAS
FÁBRICAS”. (Margareth Tatcher, 1.983, então primeira-ministra da Inglaterra).
Precisa mais? Pois bem, mesmo sem precisar:
-“A AMAZÔNIA DEVE SER INTOCÁVEL, POIS CONSTITUI-SE NO BANCO DE
RESERVAS FLORESTAIS DA HUMANIDADE”. (Congresso de Ecologistas Alemães,
1.990).
-“SÓ A INTERNACIONALIZAÇÃO PODE SALVAR A AMAZÔNIA”. (Grupo dos Cem,
1.989, Cidade do México).
-“A DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA SERIA A DESTRUIÇÃO DO MUNDO”.
(Parlamento italiano, 1.989).
-“A AMAZÔNIA É UM PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE. A POSSE DESSA IMENSA
ÁREA PELOS PAÍSES MENCIONADOS (BRASIL, VENEZUELA, COLÔMBIA, PERU
E EQUADOR), É MERAMENTE CIRCUNSTANCIAL”. (Conselho Mundial das Igrejas
Cristãs, reunidas em Genebra, 1.992).
-“É NOSSO DEVER GARANTIR A PRESERVAÇÃO DO TERRITÓRIO DA AMAZÔNIA
E DE SEUS HABITANTES ABORÍGENES PARA O DESFRUTE PELAS GRANDES
CIVILIZAÇÕES EUROPÉIAS, CUJAS ÁREAS NATURAIS ESTEJAM REDUZIDAS A UM
LIMITE CRÍTICO”. (Conselho Mundial das Igrejas Cristãs, reunidas em Genebra, 1.992).
DIZEM QUE SOMOS DILAPIDADORES DAS RIQUEZAS NATURAIS.
Enganam-se apenas quem for bobo ou então malandro, se não concluir já ter começado
o sistema de pressões e constrangimentos preconizados por Henry Kissinger, ou a fase
operativa referida por John Major. Começou a se encontrar em pleno desenvolvimento,
apesar do silêncio cúmplice de nossa mídia, de nossas entidades representativas,
especialmente empresariais.
Não se marcaram datas, é claro, ao menos até agora, para operações militares. Os
“marines” ainda não estão saltando sobre a Amazônia, porque essa não é a estratégia lá de
cima.
Eles têm tempo e paciência. Pretendem, primeiro, conscientizar a opinião pública
mundial de que nós, brasileiros, somos irresponsáveis, dilapidadores da natureza, vândalos
que não merecemos deter a soberania sobre nosso próprio território. Pode levar alguns
anos a mais, porque começaram fazendo a cabeça do cidadão comum e, em especial,
das crianças. Estas, quando adultas, de tanta propaganda antibrasileira, aceitarão sem
pestanejar, até com aplausos, uma decisão qualquer das Nações Unidas ou de outro
organismo supranacional, internacionalizando a região.
Evidências disso?Vamos a elas.
O Homem-Aranha, numa revista em quadrinhos, organiza a sua turma e luta contra
posseiros, fazendeiros e o governo do Brasil, “para salvar a Amazônia”. O Super-Homem,
também em quadrinhos, em vez de voltar para Kripton, dedicou-se numa aventura inteira
a enfrentar os madeireiros que destruíam a região. Venceu, pelo menos na revistinha. Num
ingênuo brinde distribuído por uma cadeia internacional de hambúrgueres, numa história
em quadrinhos, dois meninos discutem se gostam ais de alho, de cebola ou de pepino em
conserva. De repente, sem mais nem menos, um fala com o outro: -“Você sabia que o
Brasil queima um campo de futebol por segundo na Amazônia?”
E por falar em fogueiras: diversos restaurantes populares, de fast-food, nos Estados
Unidos, utilizam toalhas descartáveis em suas mesas. Nelas se lê com muita freqüência
o mesmo que os ingleses colocam em adesivos nos seus carros: “Lute pelas florestas.
Queime um brasileiro”.
NA CNN, CENAS DE QUEIMADAS E DEVASTAÇÃO.
Acabou? Não. Há meses a cadeia de televisão CNN dedica à Amazônia um comercial-
institucional, apresentado por sua correspondente no Rio de Janeiro, Marina Mirabella.
Ela mostra, primeiro, as belezas e maravilhas da região, exaltando-as. De repente, um
corte e cenas de queimadas, devastação da flora e fauna, garimpos, sujeira e imundice. E a
conclusão da jornalista, em “off”; -“São os brasileiros que estão fazendo isso. Até quando?
A Amazônia pertence à Humanidade e o Brasil não têm competência para preserva-la”.
Tem mais. A revista “Science”, editada em Washington, acaba de publicar recente
estudo mostrando que em 30 anos os recursos de água doce do planeta não serão suficientes
para aplacar a sede universal, e o maior problema é a falta de acesso a essa água, porque
dois terços dela estão nas geleiras dos Pólos. Em seguida completam dizendo que o Rio
Amazonas carrega 15% da água doce da terra, e “só é acessível a 25 milhões de pessoas,
constituindo uma opção exótica tentar utilizar os icebergs...”
Conforme depoimento do ex-ministro da Marinha, almirante Maximiano da Fonseca,
quando na capital estadunidense, “são freqüentes as professoras das escolas públicas que
defendem a invasão da Amazônia como inevitável, e virá mais cedo ou mais tarde”.
Documentos continuam sendo produzidos pelo Congresso Mundial das Igrejas Cristãs,
em Genebra, sustentando “a necessidade de infiltração de missionários na floresta para
delimitar as nações indígenas, sempre pedindo três ou quatro vezes mais (...) sendo
nosso dever esgotar todos os recursos que devida ou indevidamente possam redundar
na preservação desse imenso território, patrimônio da Humanidade, não patrimônio
dos países que pretensamente dizem lhes pertencer”.
EM NOME DOS ÍNDIOS, ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS
CRITICAM O BRASIL.
Organizações internacionais de reconhecidos méritos em defesa da ecologia e dos
direitos humanos muitas vezes se misturam a organizações fajutas, calhordas, daquelas que
servem a interesses escusos do empresariado, pregando a demarcação de terras indígenas
e a formação de nações indígenas independentes, inclusive em zonas onde o Brasil faz
fronteira com a Venezuela e a Colômbia. Só para citar o caso dos Ianomâmi, que merecem
todo o nosso respeito e proteção: são cerca de 10 mil e têm assegurada uma área de cerca de
9,5 milhões de hectares entre os Estados de Roraima e Amazonas.
Uma Bélgica e uma Holanda, onde, por coincidência, conforme o coronel Gelio
Fregapani, em seu livro Amazônia – 1.996, lê-se que 96% das reservas mundiais de nióbio
localizam-se exatamente lá. E, segundo informações da Unicamp, a energia elétrica no
futuro será gerada em centrais nucleares limpas, feitas de um grande aro de nióbio na
forma de um pneu. Essas centrais só poderão ser construídas de nióbio e, se dominarmos a
tecnologia, dominaremos a venda das centrais...
Por ocasião da crise do petróleo o presidente Richard Nixon declarou que “antigamente
quando os povos vigorosos necessitavam de água, iam buscá-la onde existisse,
independente de quem fosse o dono”. Pois um de seus sucessores, George Bush, além de ter
deflagrado a Guerra do Golfo, para buscar petróleo, foi quem, em carta ao então presidente
Fernando Collor, exigiu que a área dos ianomâmi fosse demarcada. Também exigiu o
entupimento do poço do Cachimbo, onde, no futuro, o Brasil poderia fazer experiências
nucleares...
Hoje fica supérfluo dizer, por inócuo, ser a Serra dos Carajás, por coincidência em
território amazônico, a maior concentração mundial de minerais, do ferro aos nobres. A
Vale já foi privatizada.
O coronel Gelio Fregapani, que serviu muitos anos na Amazônia, e hoje se encontra na
reserva, faz um alerta partido da frase de Bismarck, para quem “recursos naturais nas mãos
de nações que não querem ou não podem explorar, deixam de constituir bens e passam a
ser ameaças aos povos que os possuem”. E acentua: “A ameaça poderia não ser imediata
na época da bipolaridade, quando os Estados Unidos não se arriscariam a jogar o Brasil
e talvez toda a América Latina para o outro lado, mas a situação não é mais a mesma, e
a guerra do Iraque mostrou claramente que os nossos antigos amigos do Norte decidem
rápido e passam á ação mais rápido ainda quando estão em jogo os seus interesses. (...)
Então, qualquer pretexto servirá. Em caso de instabilidade social ou econômica no país
haverá muito maior possibilidade de pressões serem bem-sucedidas”.
Dúvidas inexistem de que todas essas ameaças ficariam enfraquecidas caso
dedicássemos a ocupar e desenvolver a Amazônia no mais breve prazo possível. Tentativas,
porém, têm fracassado ou sido propositadamente levadas ao fracasso. A experiência da
Transamazônica malogrou, talvez pela impossibilidade de levar nordestinos a uma região
completamente diversa de sua cultura. Mas o Projeto Calha Norte foi deliberadamente
torpedeado, como se tenta fazer com o SIVAM, importando menos quem ganhou a
concorrência e lucrará com sua implantação.
EXISTE O RISCO DE ACONTECER UM NOVO VIETNÃ.
Não dormimos, propriamente, enquanto isso acontece. Unidades das Forças Armadas
t~em sido transferidas para a Amazônia, mas é claro que, diante de uma invasão armada,
dizem os Estados-Maiores, não resistiríamos dez dias na preservação das principais
cidades da região. O problema (ou a solução), está no comentário reservado de um de
nossos ministros militares, feito pouco tempo atrás: -“Será o momento, então, de nossos
guerreiros se transformarem em guerrilheiros”. Aconteceu assim no Vietnã, queira Deus
que não aconteça por aqui, mas o confronto bélico não constitui o perigo principal dessa
questão. Muito pior é a lavagem cerebral que se faz no planeta inteiro, atingindo crianças e
jovens, até os nossos. Porque um belo dia irão decretar a internacionalização da Amazônia
e se repetirá a história daquele pastor evangélico alemão que momentos antes de enfrentar
o pelotão nazista de fuzilamento, escreveu: -“Primeiro vieram levar os judeus e eu não
incomodei, porque não era judeu. Depois levaram os comunistas e eu também não me
importei. Não era comunista. Levaram os liberais e também dei de ombros. Nunca fui
liberal. Em seguida os católicos, e eu era protestante. Quando vieram me buscar não havia
mais ninguém para protestar...”
Quando vier a internacionalização da Amazônia, quem reagirá?
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OS ESTADOS UNIDOS IAM INVADIR O NORDESTE
[Jornal “Folha de São Paulo”: 22 de Fevereiro de 1.998 – Domingo]
Depois de meio século de suspeitas e indicações superficiais, chegou-se finalmente a um
documento que permite a afirmação: em 1.942, os Estados Unidos estavam prontos para
invadir o Nordeste, caso o ditador Getúlio Vargas não lhes entregasse as bases aéreas de
Natal e Recife, essenciais para que os aviões estadunidenses cruzassem o Atlântico.
No dia 12 de Janeiro de 1.942, pouco mais de um mês depois do ataque japonês a Pearl
Harbor, todos os chanceleres americanos estavam reunidos no Rio de Janeiro. A reunião
fora pedida pelo presidente Franklin Roosevelt e se destinava a obter o rompimento de
relações diplomáticas da América Latina com o Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Doze países já
tinham feito isso, mas faltavam os Três Grandes Brasil, Argentina e Chile. Dos três, só o
Brasil tinha importância estratégica, por causa das bases aéreas. Vargas tinha namorado os
alemães. Seu ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, comemorava a queda de Paris, e o
chefe do Estado-Maior do Exército, general Góes Monteiro, passara os últimos anos com
a certeza da vitória nazista na cabeça e a Grã Cruz da Águia Alemã no uniforme. Vinham
pedindo armas ao governo estadunidense, mas não eram atendidos.
Os estadunidenses temiam três coisas: um ataque alemão na costa brasileira, um golpe
fil0-nazista na Argentina e uma insurreição das comunidades alemãs e italianas do Sul do
Brasil. Em 1.940, para conjurar essa hipótese, o Exército estadunidense, autorizado por
Roosevelt, concebeu um plano audacioso. Chamava-se “Pote de Ouro” e previa a ocupação
de toda a costa brasileira, de Belém ao Rio de Janeiro. Mobilizaria 100 mil soldados, mas
foi superado.
No final de 1.941, enquanto o adido militar estadunidense contava a amigos brasileiros
que os Estados Unidos tomariam as bases do Nordeste “por bem ou por mal”, concluiu-
se em Washington um novo plano, prevendo a ocupação dos campos de pouso de Belém,
Natal, Recife e Salvador. Numa de suas versões, denominada “Arco Íris 5º”, mobilizaria 60
mil homens. Noutra, a “Lilac”, o serviço poderia ser feito com 15 mil na vanguarda.
Antes mesmo do ataque japonês a Pearl Harbor, as pressões para que Vargas entregasse
as bases eram tão grandes que ele registrava em seu diário: “Não é uma colaboração. É uma
violência”.
Por via das dúvidas, duas semanas depois da entrada dos Estados Unidos na guerra, 150
fuzileiros navais estadunidenses desembarcaram pacificamente nas bases de Belém, Natal
e Recife. Todos esses fatos e documentos são conhecidos. Faltava o elo hierárquico, capaz
de demonstrar que o material conhecido não era uma simples associação de conjecturas e
planos de contingência habituais em tempo de guerra. Os estadunidenses estavam realmente
dispostos a atacar. O elo apareceu.
Trata-se de um telegrama do subsecretário de Estado Sumner Welles, ao presidente
Roosevelt, datado de 12 de Janeiro de 1.942. Ele chefiava a delegação estadunidense na
Conferência do Rio, e nela estava o chefe do Estado-Maior estadunidense, general George
Marshall. Getúlio continuava remanchando e Welles transmitiu ao presidente dos Estados
Unidos a opinião do general:
-“Marshall diz que não é seguro dar ao Brasil armas que poderão ser usadas contra
nós, mas uma revolução (pró-Eixo) no Brasil pode ter repercussões fatais. (...) Se nós
acharmos necessário entrar à força no Nordeste brasileiro, o esforço pode vir a ser maior
do que estamos supondo”. O general queria que Roosevelt o autorizasse a oferecer armas
a Getúlio. Ele autorizou, e uma semana depois Welles esteve com o ditador, garantindo-
lhe o fornecimento e obteve a promessa do rompimento com o eixo, feita sem qualquer
entusiasmo. Dutra viria a se queixar de que os estadunidenses não lhe deram exatamente
as armas que pediu. Além disso, em Abril de 1.942, o general Eisenhower, assistente de
Marshall, ordenou atualizações ao plano de operações no Nordeste.
Vargas cedeu e um ano depois encontrou-se com Franklin Roosevelt na base aérea
de Natal, onde os estadunidenses comandavam as pistas por onde passava o esforço
estadunidense para a África.
O recado do general Marshall a Roosevelt foi revelado pelo filho do Welles, Benjamin,
que acaba de publicar-lhe a biografia. Chama-se “Sumner Welles FDR’s Global Strategist”
(“Sumner Welles – O Estrategista Global de Franklin Roosevelt”). O episódio brasileiro
ocupa três páginas. Para os sobreviventes da época em que viveu esse grande diplomata,
morto em 1.961, aos 69 anos, há no livro outra surpresa. Aristocrático e elegante, Welles
era um estadunidense de anúncio de roupas. Diplomata competente e grande amigo de
Roosevelt, era a aposta certa para ocupar o cargo de secretário de Estado. Em 1.943,
inesperadamente, demitiu-se do cargo e da vida pública.
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